O governo da Espanha concedeu uma autorização especial de residência a dois jovens senegaleses que tentaram salvar o jovem brasileiro Samuel Luiz Muñiz, morto por espancamento.

 

O crime, com motivações supostamente homofóbicas, gerou uma onda de protestos em todo o país contra a violência que atinge a população LGBTQIA+.

 

A informação de que a Polícia Nacional entraria com um pedido para regularizar a situação dos dois foi antecipada na semana passada pelo “El País”, mas na segunda-feira (20) é que foi confirmada.

 

O jornal espanhol “El Mundo” informou, citando fontes ministeriais, que foi aplicada a lei de imigrações do país que prevê – em casos excepcionais – a autorização temporária de residência.

 

Eles são considerados essenciais para as investigações e se apresentaram como testemunhas do assassinato mesmo sabendo que poderiam ser deportados.

 

José Miñones, representante do governo da Galícia, disse na semana passada que Ibrahima e Makate “tiveram papel ativo” para tentar frear as agressões contra Samuel.

Não há informações sobre qual será a situação dos dois após o fim das investigações, mas segundo a lei espanhola, a residência temporária poderá ser renovada ou até se tornar permanente.

 

Samuel Luiz Muñiz era um auxiliar de enfermagem de 24 anos nascido no Brasil e que chegou à Espanha com um ano de idade.

 

O jovem foi encontrado inconsciente perto de uma boate em La Coruña, no noroeste do país, após ser espancado. Os serviços de resgate não conseguiram reanimá-lo e e ele morreu.

 

Segundo uma amiga que acompanhava Samuel no dia de sua morte, o jovem foi atacado inicialmente por um rapaz que estava com uma mulher e que deu um soco no brasileiro por pensar que estava sendo filmado.

 

Pouco depois, o mesmo homem voltou com um grupo de mais de dez pessoas, que o espancou até a morte. Os agressores fugiram antes de a equipe de socorristas chegar ao local.

 

A amiga diz que Samuel havia saído da boate para fumar e fazer um telefonema.

 

Manifestações pelo país

“Justiça para Samuel. Homofobia e fascismo são o mesmo”, dizia a gigantesca faixa carregada pelos manifestantes, que iniciaram uma marcha nesta segunda à noite na famosa Puerta del Sol, em Madrid.

Milhares de pessoas se reuniram para protestar, algumas com a bandeira do Orgulho, convocadas por grupos LGTBQIA +. Os participantes gritavam “Justiça para Samuel”.

 

“Não são espancamentos, são assassinatos”, gritava a multidão, que levava faixas com as frases: “Acabem com a homofobia”, “Tudo o que me importa é viver” ou “Eles estão nos matando”.

Também ocorreram marchas em outras cidades do país, como La Coruña, onde se reuniram várias centenas de pessoas, segundo fotos e vídeos postados nas redes sociais.