Pesquisadores britânicos identificaram uma nova medicação que reduz em 20% as mortes de covid-19 de pacientes hospitalizados em estado grave. Os resultados preliminares foram divulgados pelo estudo Recovery, da Universidade de Oxford. A informação também foi publicada pelo jornal The Guardian.

De acordo com a pesquisa, a combinação dos anticorpos monoclonais casirivimabe e imdevimabe, desenvolvida pela farmacêutica Regeneron, funciona somente para os pacientes que não desenvolvem anticorpos para combater a inflamação causada pelo vírus. Entre eles, 30% morrem sem o tratamento, em comparação com 15% dos pacientes que apresentam uma resposta imunológica.

No estudo realizado com 9.785 pacientes hospitalizados, entre 18 de setembro de 2020 e 22 de maio de 2021, 30% não possuíam anticorpos contra o vírus. Com o tratamento, as mortes foram reduzidas de 30% para 24%. Isso significa que, a cada 100 pacientes, 6 sobreviveram. Além disso, o tempo de internação foi reduzido em 4 dias e as chances das pessoas contaminadas precisarem de equipamentos de respiração eram menores. Já no caso dos pacientes que apresentaram anticorpos, a droga não teve efeito.

O medicamento é o terceiro encontrado pela equipe e o primeiro que combate o próprio vírus ao invés da inflamação desenvolvida nos estágios da doença. Outros resultados preliminares do estudo Recovery mostraram que o corticoide dexametasona e o remédio para artrite tocilizumabe também reduzem as taxas de morte.

No caso do coquetel, os anticorpos se ligam a 2 locais diferentes da proteína spike do Sars-Cov-2 e bloqueiam a entrada do vírus nas células humanas. Os cientistas dizem que a descoberta pode tornar necessário que todos os pacientes com o quadro grave façam um teste de anticorpos antes de serem internados nos hospitais.

Nos Estados Unidos, testes pequenos mostraram alguma eficácia em pessoas que receberam o coquetel precocemente, para evitar que fiquem doentes o suficiente para ir ao hospital. O ex-presidente Donald Trump recebeu uma dose única quando teve covid-19 durante seu mandato. O medicamento foi posteriormente aprovado no país, mas não na Europa nem no Reino Unido.

O medicamento com anticorpos monoclonais também pode estar disponível apenas para os países ricos. Segundo o professor Sir Peter Horby,  investigador-chefe adjunto do estudo, a droga é licenciada há 20 anos, mas não é produzida e nem comercializada em países em desenvolvimento. Ele espera que o resultados do testes mudem isso, com alguma urgência. “Realmente deve haver iniciativas para tornar esses medicamentos acessíveis. Você tem que aumentar a produção e eles têm que ser acessíveis”, disse.