Quase 16 mil pessoas foram retiradas do Afeganistão pelo aeroporto de Cabul nas últimas 24 horas, anunciou o Pentágono na segunda-feira (23).

O prazo da retirada dos americanos do país, fixado pelo presidente Joe Biden, vence em 31 de agosto, o que provoca a aceleração das operações.

As últimas retiradas elevam a 42 mil o número de pessoas transferidas do Afeganistão desde julho, 37 mil após a intensificação das operações aéreas em 14 de agosto, véspera da tomada de Cabul pelos talibãs, declarou o porta-voz do ministério da Defesa americano, John Kirby.

Durante todo o domingo e madrugada de segunda-feira, 61 aviões militares e civis de diversos países decolaram do aeroporto da capital afegã, afirmou o general Hank Taylor, do Estado maior americano. Entre as 16 mil evacuações, 11 mil foram feitas em aviões militares, de acordo com o general.

Isso inclui “alguns milhares” de cidadãos americanos, milhares de afegãos que cooperaram com os Estados Unidos, que tinham pedido ou recebido um visto de imigração, e também afegãos que temem represálias dos talibãs por terem trabalhado para ONGs, veículos de comunicação e outros empregos não aprovados pelos islamistas, indicou Kirby.

O porta-voz do ministério da Defesa se recusou a dizer o número exato de americanos retirados do país.

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Ele sublinhou que o objetivo era de retirar todas as forças americanas de Cabul em 31 de agosto, data fixada por Biden para a saída das tropas do Afeganistão, apesar das objeções dos aliados da Otan, que temem que a ponte aérea seja suspensa antes do fim do mês para permitir a evacuação dos 5.800 soldados americanos mobilizados no aeroporto para garantir a operação de transferência de civis.

Kirby não excluiu uma prorrogação da data limite. Para os Estados Unidos, “o objetivo é retirar o máximo possível de pessoas, o mais rápido possível”, destacou. “O objetivo é tentar fazer o possível até o fim do mês”.

Violações de direitos humanos

Enquanto as operações de retirada das tropas americanas continuam, a Organização de cooperação islâmica (OCI) depositou na ONU um projeto de resolução pedindo uma investigação sobre as violações dos direitos humanos no Afeganistão.

O texto será debatido na sessão extraordinária do Conselho dos direitos humanos (CDH), organizado após pedido do Paquistão, que coordena a OCI sobre direitos humanos e questões humanitárias, e do Afeganistão, com o apoio de dezenas de países, entre eles França e Estados Unidos.

“Nosso objetivo coletivo e individual deve ser de impedir a perda de vidas inocentes, de fornecer uma ajuda humanitária aos que precisam e acelerar o processo de reconciliação e de regulamentação política”, declarou na segunda-feira o embaixador representante do Paquistão, Khalil Hashmi, durante a reunião de organização da sessão.

O CDH organiza três sessões ordinárias por ano, mas se um terço dos estados membros fazem uma demanda, ele pode decidir realizar uma sessão extraordinária.