Os Estados Unidos colocaram Cuba, mais uma vez, na lista de países que apoiam o terrorismo, informou o Departamento de Estado. O país do Caribe havia sido retirado deste grupo em 2015, durante a gestão do então presidente, Barack Obama.

O governo americano vinculou a decisão ao apoio de Cuba ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e por ter abrigado fugitivos dos EUA. A decisão, a poucos dias do fim do mandato de Donald Trump, foi anunciada pelo secretário de Estado americano, Mike Pompeo.

Com a entrada de Cuba nesta lista, voltam a ser quatro os países que os EUA acusam de apoiar o terrorismo global: Irã, Coreia do Norte e Síria.

Com isso, os esforços da gestão de Joe Biden para tentar uma reaproximação nos laços com Havana, iniciada com o ex-presidente Obama, de quem ele foi vice, ficam prejudicados. A medida pode ser revogada pelo democrata, mas deve demorar para acontecer por conta de impasses jurídicos.

‘Oportunismo político’

O ministro cubano de Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, disse em uma rede social que a volta de Cuba para a lista de países patrocinadores do terrorismo é “oportunismo político” norte-americano. Ele disse que condena a decisão que chamou de “hipócrita”.

“Condenamos a qualificação hipócrita e cínica de Cuba como um Estado patrocinador do terrorismo, anunciada pelos EUA”, disse Rodríguez. “O oportunismo político desta ação é reconhecido por todos que tenham uma preocupação honesta ante o flagelo do terrorismo e de suas vítimas.”

Retrocessos

O retorno de Cuba à lista é mais um recuo na iniciativa do ex-presidente Obama de melhorar as relações entre os países, antigos adversários durante a Guerra Fria.

Com a chegada do republicano ao comando dos EUA, em 2017, Trump voltou a endurecer as relações entre os países com restrições às viagens e sanções ao envio de petróleo venezuelano à ilha.

O governo americano disse em nota que apoia o povo cubano na busca por um governo democrático e que os direitos humanos. Ele reforçou que, enquanto liberdades religiosas, de expressão e políticas não forem respeitadas, Cuba vai continuar a sofrer punições.