Sites ligados ao governo do Irã apareceram fora do ar e com uma mensagem na tela atribuída às autoridades dos Estados Unidos. O texto dizia que essas páginas haviam sido derrubadas por ordem de órgãos de segurança americanos.

Oficialmente, o governo dos Estados Unidos não se pronunciou a respeito da ação. Mas uma fonte governamental disse, em condição de anonimato, que a decisão partiu das autoridades americanas como retaliação a sites que “espalham desinformação”. A IRNA, agência estatal do Irã, disse que o bloqueio foi ordenado pelo governo americano.

A derrubada foi amplamente criticado no Irã: segundo a Reuters, a agência iraniana YJC — considerada semi-oficialista em relação a Teerã — disse que a ação atribuída aos EUA “demonstra que os pedidos por liberdade de expressão são mentirosos”.

Alguns dos sites, embora ligados ao Irã, têm sede em outros países, incluindo o Líbano e o Reino Unido. Outro portal era administrado por lideranças houthis, que combatem uma coalizão liderada pela Arábia Saudita no Iêmen.

Não é a primeira vez que uma ação do tipo ocorre: em outubro do ano passado, procuradores dos EUA ordenaram a derrubada de uma rede que, segundo as autoridades americanas, era usada como instrumento de campanha da Guarda Revolucionária do Irã.

A ação tomada pelo governo americano ocorre menos de uma semana depois das eleições presidenciais iranianas que deram vitória a Ebrahim Raisi, considerado ultraconservador. Em entrevista coletiva, o presidente eleito disse que não pretende se encontrar com Joe Biden.

Eleito com quase 62% dos votos, o novo presidente elogiou a “presença enorme” da população iraniana nas seções eleitorais “apesar da guerra psicológica travada pelos inimigos do Irã”. O pleito, no entanto, foi marcado por uma abstenção recorde.