O ex-governador do Tocantins, Marcelo Miranda (MDB), vai passar o Natal preso em Palmas. Os recursos apresentados pela defesa dele no Superior Tribunal de Justiça ainda aguardam julgamento e por isso o político segue detido em uma sala do Estado Maior no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar na capital. Miranda está preso preventivamente há quase três meses, desde o dia 26 de setembro.

A defesa do ex-governador informou que a família deve visitá-lo na prisão nesta quarta-feira (25). Ele é casado com a deputada federal Dulce Miranda (MDB) com quem tem dois filhos. Desde que o político foi detido, os advogados sustentam que a prisão é desnecessária e baseada em fatos antigos que já foram investigados.

Os pedidos de liberdade para Marcelo Miranda já foram negados em quatro ocasiões. Na mais recente, a decisão foi de um tribunal colegiado: a 3ª turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que manteve a prisão por 2 votos a 1.

O pai de Marcelo, Brito Miranda, chegou a ser preso junto com o filho, mas foi liberado para responder em liberdade ao processo após o pagamento de fiança. A Justiça levou em consideração a idade avançada e o estado de saúde dele.

Já o irmão do ex-governador, Brito Miranda Júnior, também continua preso. Ele está em uma cela para presos com nível superior na Casa de Prisão Provisória de Palmas.

A investigação

A família de Marcelo Miranda foi alvo da operação 12º Trabalho, da Polícia Federal. Os investigadores afirmam que o ex-governador, o pai e o irmão lideravam um esquema de desvio de recursos que pode ter causado prejuízos que passam de R$ 300 milhões no Tocantins. Quando foi preso, o ex-governador estava no apartamento funcional da mulher, a deputada Dulce Miranda (MDB) em Brasília.

A operação foi resultado de um trabalho conjunto entre a PF, o Ministério Público Federal e a Receita Federal. Além do desvio de verbas, o inquérito também encontrou indícios de outros crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa e até assassinatos, sequestros e torturas.

Para os investigadores o Brito Miranda e Brito Júnior funcionavam como pontos de sustentação para “um esquema orgânico para a prática de atos de corrupção, fraudes em licitações, desvios de recursos, recebimento de vantagens indevidas, falsificação de documentos e lavagem de capitais”.

Trajetória de Marcelo Miranda

Os crimes investigados pela PF teriam sido praticados durante os governos de Marcelo Miranda no Tocantins. Ele foi eleito governador do estado três vezes, sendo cassado antes de concluir o mandato em duas delas. A última cassação foi por causa de um avião apreendido em Goiás com material de campanha e R$ 500 mil ligados a campanha do ex-governador em 2014.

Ele também foi eleito senador da República, mas não pôde assumir porque foi considerado inelegível.

As informações são do  G1 Tocantins.