Jesús Santrich, um líder rebelde da Colômbia que abandonou o acordo de paz firmado em 2016, foi morto por soldados colombianos na Venezuela, informou  seu grupo armado.

De acordo com o comunicado, os soldados colombianos entraram na Venezuela de forma ilegal.

O grupo afirmou que Santrich viajava de carro pelo estado de Zulia, na região oeste da Venezuela, e foi atacado por granadas e tiros de soldados colombianos.

Os soldados teriam cortado o dedo mindinho de Santrich antes de voltar à Colômbia em um helicóptero.

O governo da Colômbia não disse nada sobre o comunicado do grupo. Se as informações forem verdadeiras, houve uma violação da soberania da Venezuela.

O governo da Venezuela também não fez nenhum comentário.

Colômbia diz que morte foi combate entre rebeldes

 O  Ministério da Defesa da Colômbia disse que havia relatórios de combates entre grupos rebeldes na Venezuela.

A imprensa da Colômbia noticiou outras versões sobre a morte de Santrich. De acordo com uma reportagem, ele foi assassinado por mercenários que tentavam capturá-lo para receber uma recompensa financeira de US$ 10 milhões (R$ 53 milhões) que o Departamento de Estado dos EUA chegou a oferecer no ano passado.

Trajetória de Santrich

Jesus Santrich era, na verdade, o nome de guerrilha de Seuxis Hernández, de 53 anos.

Ele abandonou o acordo de paz mesmo tendo sido um dos principais representantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Menos de dois anos depois de assinar o acordo, ele rompeu o pacto. Ele foi acusado, pelos Estados Unidos, de ser traficante de cocaína.

Ele foi de grupos juvenis de esquerda na Colômbia e ingressou nas Farc no começo dos anos 1990, depois que um estudante foi assassinado pela polícia na cidade de Barranquilla.

Por um problema genético, ele tem perda da vista. Ainda assim, tornou-se um dos principais ideólogos das Farc.

Ele teve problemas com as autoridades pouco depois da assinatura do acordo de paz. Ele foi preso em 2018, depois de ser acusado por autoridades de Nova York de ter participado de um grupo que traficou 10 toneladas de cocaína para os EUA. Havia gravações de áudio e vídeo que incriminavam Santrich, feitas por agentes infiltrados em 2017.

No entanto, ele foi liberado antes de ser extraditado. A Justiça da Colômbia considerou que os norte-americanos não haviam apresentado evidências suficientemente fortes.

Pelos termos do acordo de paz, os ex-rebeldes não podem ser extraditados por atos durante o conflito, mas, sim, por crimes comuns praticados depois da assinatura do acordo.

Santrich acusou o governo da Colômbia de tentar incriminá-lo. Ele visitou um acampamento de ex-guerrilheiros na fronteira com a Venezuela e, então, desligou os aparelhos de monitoramento e desapareceu.

Em agosto de 2018, surgiu um vídeo na internet em que ex-guerrilheiros, com metralhadoras, afirmavam que seguiam na luta contra o governo da Colômbia, que, de acordo com eles, não havia cumprido os termos do acordo de paz.

O grupo se intitulava Segunda Marquetalia, uma referência à aldeia onde as Farc foram originadas, na década de 1960.

O novo grupo foi rechaçado pelos ex-comandates das Farc que assinaram o acordo de paz e que, hoje, participam de um partido político que tem 10 assentos no Congresso.

As autoridades da Colômbia dizem que a facção tenta tomar controle de minas ilegais e rotas para tráfico de drogas.

A Colômbia acusa a Venezuela de oferecer refúgio aos ex-combatentes das Farc. Além de Santrich, um outro, Iván Márquez, também acusado pelos EUA de tráfico, também estaria na Venezuela.

No entanto, o exército da Venezuela entrou em confrontos com um outro grupo liderado por ex-membros das Farc.