O senador Álvaro Uribe, ex-presidente da Colômbia e aliado do presidente Iván Duque, renunciou à cadeira que ocupa no Senado.

Uribe, que governou a Colômbia entre 2002 e 2010, teve prisão domiciliar decretada em 4 de agosto por acusações de ter manipulado testemunhas contra o senador de esquerda Iván Cepeda, um opositor (leia mais abaixo sobre as acusações).

Em nota publicada nesta tarde, o ex-presidente disse que a prisão viola garantia processuais e que não há provas das acusações. “A medida […] anula qualquer expectativa de poder voltar ao Senado”, escreveu.

“Os atos e decisões de indivíduos ajudam a dar respeito pelas instituições nas quais atuam ou acarretam em todo o contrário”, concluiu Uribe.

Em prisão domiciliar, Uribe contraiu Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. Sem sintomas, ele passa por tratamento na casa de campo onde vive.

Acusações contra Uribe

Uribe é acusado de apresentar, em 2012, denúncia falsa contra o senador de esquerda Iván Cepeda por um suposto complô contra o ex-presidente, que seria embasado em falsos testemunhos.

Uribe afirma que Cepeda — um de seus maiores adversários políticos e testemunha em seu processo — contatou ex-paramilitares para que o envolvessem em atividades criminosas dos grupos de ultradireita que combateram implacavelmente as guerrilhas esquerdistas.

Mas a corte se absteve de denunciar Cepeda e decidiu abrir em 2018 uma investigação contra o ex-presidente pela mesma suspeita: manipulação de testemunhas contra seu adversário. Ele pode ser julgado por suborno e fraude processual, crimes que, na Colômbia, são punidos com cerca de oito anos de prisão.