O grupo de bolsonaristas do PSL que decidiu divergir da posição do partido e apoiar Arthur Lira (PP-AL) para a presidência da Câmara pode sofrer um baque e ficar mais fraco. É que 20 dos 36 da bancada assinaram apoio ao candidato de Jair Bolsonaro para sucessão de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na Casa. Os infiéis respondem por um processo de infidelidade partidária e, se condenados, podem até perder o mandato. A executiva nacional da legenda aprovou, por unanimidade, nesta terça (12/1) uma representação do grupo ao Conselho de Ética da agremiação.

A expectativa é que o processo chegue ao fim com a expulsão dos parlamentares da legenda antes de fevereiro. O Conselho de Ética se reúne nesta quarta-feira, às 9h, para receber as representações, de autoria do 2º vice-presidente do PSL, o deputado Júnior Bozzella (SP). Após a apreciação, o colegiado encaminhará as notificações aos parlamentares processados, e eles terão um prazo de cinco dias para se defenderem. Então, em posse das representações e da defesa, o conselho vai proferir um parecer.

Segundo uma nota do partido, a decisão final do Conselho de Ética “ainda precisará ser referendada pela Executiva Nacional e, posteriormente, pelo diretório nacional do PSL”. Para a eleição na Câmara, a agremiação fechou posição, oficialmente, com Baleia Rossi (MDB-SP), candidato do presidente da Casa, Rodrigo Maia, e que tem posição pela independência ao Executivo. Porém, embora não ocupe a liderança da legenda na Câmara, o grupo de dissidentes bolsonaristas ainda forma maioria.

Embora a legenda lute para caçar os 20 mandatos, os parlamentares querem que o partido os expulse para que possam mudar de agremiação. Respondem ao processo administrativo General Girão (RN), Bia Kicis (DF), Carlos Jordy (RJ), Chris Tonietto (RJ), Sanderson (RS), Bibo Nunes (RS), Eduardo Bolsonaro (SP), Guiga Peixoto (SP), Coronel Tadeu (SP), Major Fabiana (RJ), Daniel Silveira (RJ), Vitor Hugo (GO), Carla Zambelli (SP), Alê Silva (MG), Helio Lopes (RJ), Aline Sleutjes (PR), Caroline de Toni (SC), Filipe Barros (PR), Junio Amaral (MG) e Márcio Labre (RJ).

Mandatos

Bozzella explica que há indícios suficientes para que os dissidentes sejam condenados por infidelidade partidária. O último episódio aconteceu nas eleições, quando os bolsonaristas fizeram campanha contra os candidatos do próprio partido. Porém, de acordo com o parlamentar, a perda do mandato é um segundo processo, dessa vez, judicial, em que o partido ou o suplente pedem a legislatura para si.

“Toda perda de mandato é relativa. O suplente tem que pedir. É um processo que corre na Justiça. Eu fiz as representações com relação aos 20. Temos elementos suficientes ao longo dos últimos dois anos. E eles são reincidentes. Nas eleições, por exemplo, apoiaram candidaturas contrárias ao PSL. Tivemos candidaturas vítimas desses deputados fazendo complô e declaração pública contra candidatos. Isso confunde o eleitor. Na minha opinião, tem que expulsar. Não dá para esses deputados mais infiéis, radicais, permanecerem. Eles rasgaram o dinheiro público que o PSL investiu nessas candidaturas”, disse.

Questionado sobre pedir os mandatos dos dissidentes, o deputada afirmou que acredita que eles pertencem ao partido e aos suplentes, e não aos deputados processados.