A alternativa mais viável neste momento para o ex-ministro da Saúde e general da ativa Eduardo Pazuello é ir à reserva. O ex-chefe do ministério participou de ato favorável ao governo Bolsonaro. O estatuto dos militares e o regulamento disciplinar do Exército proíbem manifestações político-partidárias.

Eis os 3 prováveis caminhos para o general:

Reserva espontânea: como Pazuello é oficial-general de 3 estrelas e integra o corpo de intendentes, não pode ser promovido a 4 estrelas. Logo, não almeja promoção e poderia ele mesmo pedir para sair da ativa, já que reúne todos os pré-requisitos para ir à reserva. Com isso, ficaria livre de uma possível punição.

Reserva forçada: se Pazuello não se dispuser a ser reservista e se a turma mais jovem que a dele completar os pré-requisitos, ela pode ser promovida. Caso isso ocorra e como o ex-ministro é oficial-general de 3 estrelas, não pode continuar na Força com uma turma mais nova à sua frente, com 4 estrelas. Assim, iria para a reserva automaticamente.

Sem reserva, com possível punição: caso continue na ativa, Pazuello pode sofrer alguma advertência. Em caso extremo e ainda menos provável, como punição, poderia ser preso. Chance: quase zero.

O RDE (Regulamento Disciplinar do Exército) é o texto que Pazuello teria desrespeitado. A decisão, agora, está nas mãos do Comando do Exército. O ex-ministro deverá ser notificado. Depois, poderá se explicar.

O desempenho de Pazuello na CPI da Covid foi elogiado dentro do Exército. Mas, depois de domingo, foi tudo por água abaixo. A aparição do ex-ministro na manifestação, sem máscara e em cima do trio elétrico, irritou os generais dos mais altos postos. O comandante da Força, agora, se vê obrigado a tomar uma decisão.

MOURÃO

O  vice-presidente Hamilton Mourão disse que Pazuello sabe que errou indo ao ato político. “O episódio será conduzido à luz do regulamento. Eu já sei que o Pazuello entrou em contato com o comandante, colocando a cabeça dele no cutelo, entendendo que ele cometeu um erro”, declarou a jornalistas no Palácio do Planalto.

“O regulamento disciplinar do Exército, no seu anexo 1, tem uma série transgressões. Entre elas, pode ser enquadrada essa presença do general Pazuello nessa manifestação, é uma manifestação de cunho político”, declarou o vice-presidente.

Segundo Mourão, o regulamento disciplinar da Força determina que o comandante entregue ao militar uma ficha de apuração de transgressão na qual está descrito o fato. Pazuello teria, então, até 72 horas para apresentar suas razões de defesa e, a partir daí, o comandante analisaria fatores agravantes e atenuantes para indicar as punições. Vão de advertência até prisão.

“É provável que seja [aplicada alguma punição], é uma questão interna do exército, ele [Pazuello] pode também pedir transferencia para reserva e atenuar o problema”, afirmou Mourão.