O secretário de Justiça dos Estados Unidos, William Barr, declarou que será investigada “a fundo” a morte do empresário Jeffrey Epstein em uma área de segurança máxima da penitenciária de Manhattan, segundo o jornal The New York Times. O caso está sob investigação do FBI e também do inspetor-geral do Departamento de Justiça.

Acusado de pedofilia, abuso sexual e tráfico de centenas de meninas, que passaram por suas mansões em Nova York e em Palm Beach, na Flórida, Epstein teria se suicidado em sua cela no último sábado 10. Barr deixou escapar sua suspeita de que outras pessoas possam ter assassinado Epstein ou o induzido ao suicídio.

“Nenhum co-conspirador deve ficar calmo. As vítimas merecem justiça e elas a terão”, afirmou Barr. “Ficamos sabendo agora de graves irregularidades nessa prisão, que são muito preocupantes e que demandam uma investigação. Vamos a fundo no que aconteceu. Haverá punições.”

Epstein, de 66 anos de idade, tornou-se um dos mais disputados administradores de fundos de hedge dos Estados Unidos. Entre seus clientes estavam o presidente americano, Donald Trump, o ex-presidente Bill Clinton, o príncipe herdeiro saudita, Mohammed Bin Salman, e o cineasta Woody Allen. Pelo Twitter, Trump chegou a vincular o suicídio de Epstein a Clinton. O porta-voz de Clinton, Angel Ureña, respondeu ser essa menção “ridícula” e “mentirosa”, além de fazer referência ao potencial uso da 25ª Emenda, que permite o afastamento do chefe de Estado por instabilidade mental.

O empresário foi encontrado inconsciente, às 6h30 (7h30), em sua cela no Centro Correcional Metropolitano. Foi declarado morto no hospital, com claras evidências de suicídio. Um médico particular, designado por seus advogados de defesa, acompanhou a autópsia ainda inconclusiva. Barr não descreveu as irregularidades que preocupam o Departamento de Justiça americano. Mas algumas delas já circularam na imprensa.

O empresário do setor financeiro já havia tentado contra sua vida em 23 julho passado e, por conta disso, colocado sob observação por risco de suicídio. Dois agentes penitenciários deveriam checar suas condições a cada 30 minutos. Mas foi descoberto apenas por um guarda, que começara sua ronda às 6h30.  Também deveria ter tido um companheiro de cela, o que não aconteceu. Estava sozinho.

Em julho, procuradores federais desbarataram um esquema de tráfico de garotas adolescentes e acusaram Epstein do crime e também de ter abusado de centenas delas. O empresário chegou a propor o pagamento de uma fiança que envolveria sua mansão em Manhattan (avaliada em 56 milhões de dólares) mais seu jato particular para responder em liberdade. A Justiça negou o pedido.

A documentação contra Epstein dera o tom da gravidade de sua situação. No dossiê estavam fotos de adolescentes nuas, fotografadas na mansão do empresário em Manhattan, e também o depoimento de Virginia Giuffre, que o acusa de tê-la submetido à condição de sua escrava sexual. Epstein já havia sido condenado em 2008 por valer-se de prostituição e cumprira 13 meses de prisão.