Horas após a reunião entre os senadores Tasso Jereissati (CE) e Aécio Neves (MG) para discutir a conciliação entre alas do PSDB, o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, defendeu a união entre os tucanos e pediu atenção às eleições de 2018. Em nota publicada nesta quinta-feira, ele admitiu que o partido tem mais de um candidato viável à presidência — em São Paulo, o prefeito João Doria e o governador Geraldo Alckmin travam disputa velada pela candidatura. Na noite de quinta, ele teve um encontro com Doria.

“Preparemos uma candidatura aglutinadora para 2018. Chances de vitória existem, temos candidatos viáveis – escrevo no plural – enquanto os demais partidos, quando os têm, têm um só, nem sempre inspirador de confiança para os propósitos que desenhei”, observa o presidente de honra da sigla em texto publicado no site do PSDB.

O encontro com Doria foi divulgado pelo prefeito em rede social na manhã desta sexta, embora o teor da conversa não tenha sido revelado. “Essa noite tive uma ótima conversa com Presidente FHC. Nós acreditamos no Brasil”, diz o prefeito paulista, que cumpre agenda de presidenciável em viagens pelo país.

FH publicou a nota após o presidente afastado do partido, Aécio Neves, divulgar que Tasso Jereissati continuará na presidência interina até o fim do ano. A reunião entre os senadores ocorreu para “apaziguar” a sigla após o racha provocado pelo programa de TV e o encontro fora da agenda entre Aécio e o presidente Michel Temer. Para o ex-presidente, as discussões internas só resultariam no “esfacelamento” do partido.

“As críticas ao presidencialismo de cooptação não são críticas aos membros do PSDB que ocupam posições governamentais, nem podem constituir ataques aos líderes partidários que sofrem acusações ainda a serem comprovadas”, escreveu.

Assim como em outras oportunidades, ele ressaltou que o compromisso da sigla não é com o governo Temer e sim com as reformas econômica, previdênciária e política. Em relação à última, se manifestou contra o fundo partidário e questionou a forma como doações empresariais podem ser realizadas caso sejam aprovadas novamente.

“Se for aceita a doação de empresas, por que não doar ao Tribunal Eleitoral, que abriria contas em nome dos partidos cujas despesas de campanha seriam apresentadas diretamente a ele?”, sugeriu.

O ex-presidente também defendeu a implementação da distritalização para as eleições municipais de 2020 e um governo semipresidencialista após o fim das reformas.

“O programa de TV mostrou que o partido dá ouvidos à voz das ruas e não pode ser condenado por isso. Tampouco pode ser condenado por reafirmar os compromissos do PSDB com o voto distrital misto e, no futuro – depois de sua implantação e do saneamento dos partidos — com uma nova forma de governo, na minha preferência, semipresidencialista.”

Fonte: O Globo