Além do governador afastado Mauro Carlesse (PSL), vários parentes dele são citados pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República na investigação que levou ao afastamento do cargo. Entre os nomes que aparecem na decisão do ministro Mauro Campbell estão: Dayana Carlesse (filha), Renato Tedeschi Alves (genro) e Fernanda Carlesse (ex-mulher).

O inquérito aponta que os três podem ter participado de um esquema de lavagem de dinheiro para disfarçar a origem dos recursos obtidos por Mauro Carlesse e Claudinei Quaresemin com o recebimento de propinas. Quaresemin, além de sobrinho do governador, era secretário de Parcerias e Investimentos e considerado homem forte da gestão. Ele estava à frente de projetos importantes como a concessão do Parque Estadual do Jalapão e outros ativos do Estado.

A filha e o genro

Com relação a Dayana e Renato Tedeschi as irregularidades identificadas são semelhantes. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) percebeu que os dois fizeram movimentações financeiras muito superiores ao que declaravam ter como renda.

Um dos relatórios do Coaf é referente ao período entre abril e novembro de 2018, quando Mauro Carlesse assumiu o governo para o mandato-tampão após a cassação de Marcelo Miranda (MDB). No período de oito meses, Dayana Carlesse movimentou, segundo o documento R$ 2.357.373,00. Para a PF, este é um “valor que não condiz com sua renda mensal de R$ 10.560,00, que recebe como sócia nas empresas Maximus Part AS e Pastel e CIA”.

No caso do genro, os valores foram ainda maiores. Ele é sócio da empresa Faredi Comércio e declara renda mensal de R$ 5 mil. Mesmo assim, entre novembro de 2018 e julho de 2021 movimentou, a título de crédito, R$ 9.152.674,00.

O Ministério Público Federal acredita que se trate de um esquema de lavagem de dinheiro, para disfarçar pagamentos de propina relacionados ao plano de saúde dos servidores públicos do Tocantins. Os dois estiveram entre os alvos da operação no dia 20 de outubro e estão com bens bloqueados pela Justiça.

Ex-primeira dama

Com relação a Fernanda Carlesse, com quem o governador foi casado até o segundo semestre de 2020, as suspeitas também surgiram a partir de relatórios do Coaf. No caso dela, o que chamou a atenção foi a movimentação de uma empresa da qual ela é diretora comercial, a MJE Empreendimentos e Participações.

Segundo o Coaf, entre maio de 2018 e janeiro de 2021 a firma movimentou R$ 9.581.800,54 em espécie. Os depósitos foram feitos em nome de várias outras empresas, sendo que uma delas é a Safira Participações e Empreendimentos, administrada por Claudinei Quaresemin, o sobrinho do governador e ex-secretário de Parcerias e Investimentos.

A empresa que recebeu a parcela do dinheiro é sócia de outras firmas, inclusive uma no Uruguai. O país é classificado na decisão judicial como ‘conhecido paraíso fiscal’.

A investigação continua em andamento. Na quinta-feira (21), um dia após o afastamento do governador, a PF esteve nas ruas novamente para realizar buscas.

O que dizem os citados

O advogado Juvenal Klayber, que representa o governador Mauro Carlesse e o ex-secretário Claudinei Aparecido Quaresemin, foi procurado e informou que ainda não é o momento de se manifestar sobre as investigações.

O advogado Marcelo Resende, que representa Dayane Carlesse e Renato Tedeschi, disse que a teve acesso apenas parcial aos autos. Ele informou mas que mantém a convicção de que os fatos serão esclarecidos em tempo oportuno e que em breve o governador irá retomar às funções.

As operações

O governador Mauro Carlesse e dezenas de agentes públicos foi determinado monocraticamente pelo ministro Mauro Luiz Campbell e confirmado pela corte do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A Polícia Federal fez buscas na casa de Carlesse e na sede do governo do Tocantins. Foram apreendidos dois veículos de luxo do governador, levados para a sede da PF em Palmas.

As investigações que resultaram na determinação de afastamento do governador Mauro Carlesse pelo STJ são resultado de duas operações da PF, chamadas Éris e Hygea, que invetigam:

  • Pagamento de propina relacionada ao plano de saúde dos servidores estaduais (Hygea);
  • Obstrução de investigações (Éris);
  • Incorporação de recursos públicos desviados (Hygea).