A quantidade de doses no título da reportagem foi atualizada de 18 milhões para 12 milhões às 19h29, seguindo nota oficial divulgada pela Fiocruz. A informação anterior se baseava em declaração do secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz.

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, disse na 2ª feira (17.mai.2021) que a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) receberá insumos para produzir 18 milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca em 22 de maio.

A fundação ainda depende de IFA (ingrediente farmacêutico ativo) importado da China para a fabricação dos imunizantes. A Fiocruz confirmou que paralisará a produção na 5ª (20.mai), mas declarou que a interrupção não deve impactar as entregas planejadas. Também afirmou que o IFA esperado para 22 de maio será o suficiente para produzir 12 milhões de doses, e não 18 milhões, como havia afirmado Rodrigo Cruz.

Oo Instituto Butantan, que fabrica a CoronaVac no Brasil, também enfrenta escassez de IFA. A produção foi paralisada  na 6ª feira (14.mai) pela falta do insumo.

Na 2ª (17.mai), o governador de São Paulo João Doria (PSDB) anunciou que o Butantan receberá IFA para mais 7 milhões de doses em 26 de maio. De acordo com a assessoria, a produção será retomada no dia seguinte à chegada da matéria-prima.

ANTECIPAÇÃO DE DOSES

Rodrigo Cruz afirmou que, ao todo, o Ministério da Saúde “tem mais de 600 milhões de doses pactuadas” e que o desafio da pasta é “antecipar todas essas doses”.  Ele declarou que o governo recebeu indicações positivas de outros fornecedores para adiantar entregas.

O ministério espera 38 milhões de doses da Janssen até dezembro. De acordo com o secretário, o laboratório definirá quantas doses conseguem antecipar e em que prazo assim que a produção for retomada nos Estados Unidos.

Em relação à Pfizer, o governo receberá um total de 100 milhões até setembro, das quais 12 milhões tem entrega confirmada para junho. Outras 100 milhões de doses são esperadas de outubro a dezembro.

O secretário afirmou que há uma sinalização da Pfizer “de antecipar a 1ª entrega desse 2º contrato para setembro”, mas não detalhou quantas doses seriam antecipadas. O Poder360 questionou a assessoria do Ministério da Saúde sobre o quantitativo, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem.

Cruz disse ainda que o Ministério da Saúde tenta “trocar”entregas com países onde a imunização está mais avançada: “A minha entrega , que estava prevista para o último trimestre, em vez de ela vir para o Brasil, ela vai para você; e a sua entrega, que estava prevista para agora, este mês, ela viria para o Brasil”, exemplificou o secretário.

SPUTNIK V

O embaixador da Rússia no Brasil, Alexey Labetskiy, participou da mesma audiência da Comissão da Covid no Senado que Rodrigo Cruz. Defendeu que a Spuntik V, vacina contra a covid-19 desenvolvida no país e com aprovação pendente no Brasil, “garante a proteção de mais de 91%”. O diplomata também disse que a Russia está disposta “ a negociar a concessão dos direitos para os produtores locais”.

Questionado sobre as medidas que o país pretende tomar para facilitar a aprovação da vacina pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Labetskiy afirmou que o processo corre dentro “das regras adotadas e que existem no Brasil”. Também disse que “tudo depende da parte brasileira”.