Popularizada nas redes sociais em perfis de celebridades e influenciadores digitais, a harmonização facial tem se mostrado uma fonte lucrativa para franquias, que registraram um crescimento expressivo mesmo durante a pandemia. Em junho do ano passado, a Botoclinic, uma das pioneiras no setor, chegou a assinar um contrato de investimento com a XP, que comprou participação majoritária na empresa, investindo R$ 100 milhões na estruturação da rede.

Fundada pelo advogado Rafael Estevez e pela cirurgiã dentista Cristina Bohrer, a Botoclinic abriu sua primeira loja em janeiro de 2019, no Shopping Iguatemi de Porto Alegre (RS), com a primeira franquia em março daquele ano. Foram abertas cem lojas no primeiro ano, e mais 51 em 2020, fazendo com que a rede esteja hoje em todos os estados do país, com exceção do Acre e do Amapá. A projeção, segundo Estevez, é ganhar cem novas unidades por ano, entre franquias e lojas próprias.

— O mercado tem capacidade de triplicar ou quadriplicar nos próximos quatro anos. O que a gente fez de diferente foi aproximar esse tipo de serviço do grande público. Antes, quando a pessoa queria saber sobre harmonização, tinha que marcar uma consulta com o dermatologista ou o dentista, pagar por essa consulta, depois agendar a aplicação. Todo esse processo levava em torno de 10 a 12 dias. Na Botoclinic, o cliente agenda pelo aplicativo e faz o procedimento no mesmo dia. A avaliação é gratuita — afirma o sócio-fundador da rede.

Com a primeira franquia inaugurada em março de 2018 em São Paulo, a Royal Face encerrou 2020 com crescimento de 270% em relação a 2019 e projeta para 2021 um faturamento 430% maior.

— Conseguimos casar uma clínica classe A, com preço justo para o público C — diz Mauri Torres, diretor de expansão da rede.

Unidade da Royal Face: rede espera crescimento de 430% em 2021Unidade da Royal Face: rede espera crescimento de 430% em 2021

Investimento a partir de R$ 159 mil

O investimento necessário para comprar uma franquia de harmonização facial é alto. No caso da Royal Face, o valor médio é de R$ 159 mil. Na Botoclinic, o custo é de cerca de R$ 300 mil. Segundo Rodrigo Borelli, diretor de Operações da Royal Face, o retorno é estimado em 18 a 23 meses, o que, segundo ele, é um “tempo excelente” para franquias.

Franqueado da Botoclinic, Igor Parente abriu a primeira unidade da rede no Rio de Janeiro, em junho de 2019. Nos seis meses de funcionamento naquele ano, o faturamento foi de R$ 1 milhão. Em 2020, a loja faturou R$1,2 milhão.

— Isso porque o ano passado foi marcado pela Covid-19, em que ficamos fechados por quatro meses. Mesmo assim, ainda tivemos vendas on-line, pois oferecemos para que as pessoas comprassem os serviços para usar depois. Acredito que, se não fosse pela pandemia, o faturamento teria sido em torno de R$ 1,7 milhão.

Professor do MBA de Gestão de Varejo do Ibmec-RJ, Haroldo Monteiro aponta que, por se tratar de um modelo de negócios novo, sempre há riscos envolvidos.

— É importante conversar com franqueados atuais para saber qual foi o retorno e como é a relação com os franqueadores para minimizar riscos.

Redes sociais tiveram papel importante

Especialista em marketing digital e fundador da agência Follow Me, Gabriel Gentil tem hoje cerca de 85% de seus clientes no segmento de harmonização facial, entre franquias, profissionais e clínicas. Segundo ele, as redes sociais tiveram um papel importante na divulgação desses procedimentos e na criação de um ambiente em que a aparência é muito valorizada:

— O Instagram gera oportunidades. As pessoas se deparam com os rostos harmonizados de famosos e depois com o anúncio.

Entre os procedimentos mais buscados estão o botox e o preenchimento com ácido hialurônico.

Presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Beto Filho aponta que antes de investir ou até se tornar cliente, é importante ver se a franquia é confiável.

— Veja se é associada, porque a ABF tem critérios rigorosos para aprovar a franquia e ver se atende às boas práticas de mercado — diz.

Já a especialista em harmonização facial Cris Pessoa recomenda que se verifique a qualidade dos produtos, se são aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e se os profissionais são capacitados.