Um funcionário público do condado de Maricopa, no Arizona (Estados Unidos), foi preso acusado de liderar um esquema de tráfico humano e adoção irregular.

De acordo com promotores, Paul Petersen ludibriava mulheres grávidas das Ilhas Marshall – um arquipélago no Pacífico – para que os filhos nascessem nos EUA. Ao chegar no país, elas davam à luz os bebês sem os devidos cuidados para, em seguida, vender as crianças.

Além de atuar como avaliador das propriedades do condado de Maricopa, Petersen trabalhou como advogado justamente na área de adoção. Durante 15 anos, ele prestava assistência a famílias que tentavam adotar ou já haviam adotado alguma criança.

O esquema envolveria 75 adoções em três anos. De acordo com as investigações, o acusado pagava US$ 10 mil (cerca de R$ 41 mil, com a cotação atual) a cada grávida das Ilhas Marshall. Além disso, Petersen arcava com a viagem e a hospedagem até o parto.

Promotores disseram que as grávidas ficavam em casas lotadas sem fazer exames ou outros cuidados pré-natais. Em uma das casas, algumas vítimas dormiam em colchões colocados no chão sem nenhum forro.

Por enquanto, os investigadores ainda tratam as famílias adotivas como vítimas do esquema ilegal. Elas pagavam até US$ 40 mil (cerca de R$ 164 mil) por adoção.

Fluente no idioma das Ilhas Marshall

Segundo a agência Associated Press, Petersen conhece a realidade do pequeno país no Pacífico porque viveu lá durante dois anos em uma missão da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Pelo tempo que ficou, ele se tornou fluente no idioma local.

Petersen foi indiciado em três estados pelos seguintes crimes:

Tráfico humano

Venda de criança

Fraude

Falsificação

Lavagem de dinheiro

O advogado do acusado, Matthew Long, afirmou na terça-feira (8) discordar das acusações. Segundo ele, Peterson fazia “atividades normais de negócios”.

Do outro lado, o procurador-geral de Utah, Sean D. Reyes, criticou a conduta do réu.

“Transformar crianças em commodities é simplesmente horrível.”