O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que o governo assinou nesta quinta-feira um acordo com o Instituto Butantan para comprar 46 milhões de doses da CoronaVac. Pazuello afirmou que compra só foi possível devido à medida provisória (MP), publicada na quarta-feira, que autoria a aquisição de vacinas antes do obtenção do registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

— Hoje assinamos nós com o Butantan. (Está) Assinado. Menos de 24h depois da medida provisória, nós assinamos um contrato para entrega das primeiras 46 milhões de doses até abril e de mais 54 milhões no decorrer do ano, indo a 100 milhões de doses — anunciou Pazuello, durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto.

O acordo foi assinado no mesmo dia em que Butantan anunciou que a CoronaVac teve eficácia de 78% nos estudos realizados no Brasil. A vacina é desenvolvida em parceria com o laboratório chinês Sinovac. O Butantan é vinculado ao governo de São Paulo.

Na mesma entrevista, Pazuello também afirmou que o governo irá comprar a vacina da Janssen, braço farmacêutico da Johnson & Johnson.

— Para não deixar dúvidas, nós compraremos a Janssen. Três milhões de doses no segundo trimestre, dependendo dos registros.

Bolsonaro criticou ‘vacina chinesa de Doria’

A CoronaVac está envolvidas em polêmicas e disputas políticas desde o ano passado. Em outubro, Pazuello anunciou, durante uma reunião com governadores, a assinatura de um protocolo de intenções para adquirir 46 milhões de doses. No dia seguinte, no entanto, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que a “vacina chinesa de João Doria” não seria comprada pelo governo.

A justificativa original de Bolsonaro era de que o governo não poderia comprar uma vacina antes do registro na Anvisa. Entretanto, ele chegou a falar que a CoronaVac não seria comprado mesmo se obtivesse aprovação da agência.

Após a declaração de Bolsonaro, o Ministério da Saúde voltou atrás. O secretário-executivo da pasta, Elcio Franco, disse que “uma interpretação equivocada” e que não havia “intenção de compra”. Um dia depois, em um vídeo ao lado de Bolsonaro. Pazuello afirmou que “um manda e outro obedece”.