O governo Jair Bolsonaro reviu, nos últimos dias, a distribuição de cargos ao chamado centrão para fazer um aceno ao DEM, partido dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (AP), e da Câmara, Rodrigo Maia (RJ).

Nas tratativas para a formação de uma base de apoio ao presidente no Congresso, o Palácio do Planalto havia colocado o comando da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) na mesa de negociações. A ideia era que o órgão, com um orçamento de R$ 1,5 bilhão, ficasse com o Republicanos.

Desde agosto do ano passado, no entanto, a companhia é presidida pelo engenheiro Marcelo Andrade Moreira Pinto, indicado pelo então líder do DEM na Câmara, Elmar Nascimento (BA).

Segundo relatos feitos ao GLOBO, a possível transferência do comando Codevasf para outro partido foi travada por Alcolumbre. De acordo com aliados, o presidente do Senado atuou junto ao ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, para que não houvesse mudança no comando do órgão.

Pessoas próximas a Alcolumbre disseram que ele ficou especialmente incomodado com o fato de o governo propor a mudança apenas nove meses depois da posse do indicado de Elmar. A avaliação levada a Ramos foi a de que, com a troca, o Planalto estaria descumprindo um acordo em pouco tempo, deixando claro que a relação com os partidos é “descartável”.

Moreira Pinto assumiu a Codevasf em meio à votação da reforma da Previdência na Câmara, num aceno do governo ao então líder do DEM.

Integrantes do partido dizem, no entanto, que a nomeação para o posto não passou pela cúpula do DEM e que seria um acerto entre Elmar e o governo. Apesar da atuação de Alcolumbre, o presidente da sigla, ACM Neto, tem dito que a legenda não está negociando cargos com Bolsonaro.

Com a decisão do Planalto de manter a Codevasf com o DEM, o Republicanos ficou com a Secretaria Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional e Urbano do Ministério do Desenvolvimento Regional.

O posto será ocupado por Thiago Queiroz, segundo ato assinado pelo ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto, e publicado no Diário Oficial.