Um grupo de mais de 150 políticos e personalidades internacionais, incluindo parlamentares e ex-primeiros-ministros, divulgou nesta segunda-feira, 6, um documento alertando para o risco de uma “insurreição” no Brasil nesta terça-feira, 7.

A carta aberta chega na véspera das manifestações convocadas pelo cada vez mais impopular presidente Jair Bolsonaro contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso, em meio a um cenário de pandemia ainda sem controle e inflação em disparada.

Segundo o documento, os atos organizados por Bolsonaro e seus aliados, “incluindo grupos supremacistas brancos, polícias militares e oficiais públicos de todos os níveis do governo”, levantam temores “de um golpe na terceira maior democracia do mundo”.

“Nós, representantes eleitos de todo o mundo, estamos soando o alarme: em 7 de setembro de 2021, uma insurreição vai colocar em risco a democracia no Brasil”, diz o texto.

O documento ainda cita a incomum parada militar promovida pela Marinha em Brasília em 10 de agosto, dia da análise da proposta do voto impresso no Congresso, além das recorrentes ameaças do presidente de não permitir a realização das eleições de 2022.

“Agora Bolsonaro está convocando seus apoiadores a viajar para Brasília em 7 de setembro, em um ato de intimidação contra as instituições democráticas do país”, afirma a carta, acrescentando que parlamentares brasileiros já alertaram que o presidente está tentando imitar o levante de eleitores de Donald Trump contra o Congresso dos Estados Unidos, em 6 de janeiro.

“Estamos muito preocupados com as ameaças iminentes às instituições democráticas do Brasil e continuamos vigilantes para protegê-las em 7 de setembro e além. O povo brasileiro tem batalhado por décadas para proteger a democracia contra um regime militar. Bolsonaro não pode roubá-la agora”, conclui o documento.

Entre os signatários do texto estão o ex-primeiro-ministro da Espanha José Luis Rodríguez Zapatero, o ex-presidente do Paraguai Fernando Lugo, o intelectual Noam Chomsky e parlamentares de diversos países do mundo, sobretudo da América Latina e da Europa.

Também assina a carta Maurizio Landini, secretário-geral da Confederação-Geral Italiana do Trabalho (Cgil), o mais poderoso sindicato do país.