A cidade do Rio de Janeiro registrou a menor temperatura mínima do ano da rede de estações do Sistema AlertaRio. Em Guaratiba, às 3h, o carioca sentiu na pele o recorde: 10,3º C. Após a passagem de uma frente fria, porém, as temperaturas devem subir em relação ao sábado, sem dispensar os casacos: a máxima será de 23ºC.

E os cariocas já observam até o Sol brilhando mais forte no início da manhã, em diversos pontos da cidade. Não à toa, algumas pessoas aproveitaram para fazer uma caminhada na orla da Zona Sul. O Leblon era a praia mais movimentada.

— Nessa última semana, uma frente frio avançou sobre a região Sudeste, trazendo consigo uma massa de ar polar intensa que ocasionou queda nas temperaturas da cidade do Rio. Nos próximos dias, as temperaturas deverão sofrer aumento gradativo, com máxima prevista de 29º C na quinta-feira — afirma Christiane Nascimento, meteorologista do Alerta Rio.

Durante a tarde do sábado, o município já tinha chegado a sua menor temperatura máxima de 2020: 19,6ºC às 15h, em São Cristóvão. Já a temperatura mínima no sábado (22) não chegou ao ranking das mais baixas, pois o índice mais baixo era 11º C, medidos no dia 27 de maio, na estação do Alto da Boa Vista. Foram as horas seguintes, já na madrugada, que fizeram acontecer o que era difícil imaginar.

Na segunda-feira (24), de acordo com o AlertaRio, o tempo permanecerá instável, com a mesma previsão de máxima. As chuvas devem ser fracas, isoladas, nos períodos da madrugada e da noite. Tanto no domingo como na segunda-feira, os modelos numérios de previsão estimam que chova, em média e para toda a cidade, menos que 5 mm, em cada um dos dias.

Entre a terça-feira (25) e a quarta-feira (26), não há mais previsão de chuva. A nebulosidade será variada e as temperaturas continuarão amenas, com máximas na casa dos 25ºC.

Agosto mais chuvoso dos últimos 24 anos

A cidade continua em estágio de mobilização por causa das condições do tempo e impactos da chuva. Na manhã deste domingo, a Prefeitura atua em duas ocorrências relacionadas a isso: o desmoronamento de calçadão na Avenida Lúcio Costa, na altura do posto 8, na Barra da Tijuca; e uma queda de muro na Rua Francisca de Andrade, em Santa Teresa.

Na Lagoa Rodrigo de Freitas, a chuva do sábado encheu a ciclovia na altura do Parque da Catacumba e os ciclistas se viravam para conseguir escapar das poças neste domingo.

De acordo com o Alerta Rio, neste mês de agosto, até agora, caiu sobre a a cidade (levando em conta as 33 estações pluviométricas) a maior quantidade de chuva para agosto dos últimos 24 anos: 75 milímitros, em média. O valor médio de 75 milímetros não é um recorde, mas, com base neste dado, é possível afirmar que este mês de agosto é atípico em relação às médias históricas de chuva neste período. O acumulado médio agora faz parte dos quatro maiores de agosto desde que o Alerta Rio foi fundado, em 1996.

— A passagem da frente fria e o posterior transporte de umidade do oceano em direção ao continente deixou o céu nublado e com chuva ocasional, por vezes contínua, aqui no Rio de Janeiro, entre quinta-feira e sábado, e isso ajudou as temperaturas a não subirem muito. O mês de agosto costuma ser o mais seco do ano na cidade, mas com toda a chuva que essa frente fria causou, os acumulados pluviométricos nesses 3 dias superaram a média do mês inteiro em vários bairros — explica o meteorologista Wanderson Luiz Silva.

Previsão de risco à saúde

O declínio de temperatura entre a quinta-feira (20) e este domingo (23), tinha sido previsto. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) chegou a emitir um alerta para o estado, avisando que os termômetros poderiam chegar a marcar entre 3ºC e 5ºC, com leve risco para a saúde. O instituto também previa chuva a qualquer hora.

O efeito da massa polar não se restringe ao Rio ou ao Sudeste.

— O que está acontecendo no país é efeito da massa de ar frio que penetrou pelo interior do continente. Pegou o Acre, Rondônia, Mato Grosso, Centro-Oeste do Brasil, Sul da Região Amazônica… E, entre hoje e amanhã, é o Nordeste sente seu efeito. Mas vai afetar por um dia e meio ou dois, no máximo. Não é duradoura. Com a volta do Sol e o aquecimento, a massa fria já perde as características dela — anuncia Wallace Menezes, professor associado do departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.