Mais de 100 haitianos fazem fila nesta quarta-feira (22) na frente do escritório da Comissão Mexicana de Ajuda aos Refugiados (Comar), localizado na Cidade do México, em tentativa de obter autorização para seguir no país, diante das dificuldades que compatriotas têm para entrar nos Estados Unidos.

“Acabo de chegar, tenho uma semana na Cidade do México, porque vou cruzar (a fronteira com os EUA). No caminho, escutei que estão recolhendo gente para deportar e fiquei aqui para conseguir os papéis”, disse Marie Sola St. Fort, de 40 anos, à Agência Efe.

A haitiana contou que vive desde os 12 anos fora do Haiti e, desde então, viveu em vários países. Como fala espanhol, ajudou outros migrantes da preencher as fichas que o Comar solicita para que sejam iniciados os trâmites de regularização da situação no México.

Já o advogado Alexander Ovil, haitiano que vive no México faz dez anos, disse que se sentiu na obrigação de ir até o local, para conhecer a situação dos recém-chegados à capital do país, para tentar ajudar de alguma maneira.

“Para a grande maioria, o sonho era chegar até o norte e poder cruzar (a fronteira com os EUA), mas situação que se vive lá, não é adequada para eles. Acredita que é melhor tentar, de alguma maneira, se regularizar aqui”, explicou.

Histórias variadas

Os haitianos que fazem fila para entregar os documentos apresentam diversas histórias, conforme explicou Ovil, que conversou com diversos deles.

“É uma mistura. Chegam de todas as partes, tanto do sul, como do norte. Realizar o sonho americano fica mais complicado a cada dia, então, a maioria dos que estão aqui, buscam um abrigo legal”, relata o advogado.

Nos últimos dias, cerca de 13 mil migrantes irregulares, a maioria provenientes do Haiti, ficaram retidos pelas autoridades dos Estados Unidos em um acampamento improvisado, sob a ponta que liga as cidades de Del Río, no estado do Texas, e Ciudad Acuña, já no território mexicano.

O grupo de cidadãos haitianos veio de Brasil e Chile, depois que, em agosto, o Departamento de Segurança Nacional dos EUA (DHS) anunciou a ampliação do programa de Status de Proteção Temporária.

Diante da dificuldade de conseguir permanecer no território americano, os migrantes decidiram partir para a Cidade do México, onde buscariam legalizar a situação.

“Eu disse a meu marido que iria para outro país que estivesse aberto para os migrantes, que é o México. Queria cruzar para os Estados Unidos, porque tenho família lá”, relatou Marie Sola St. Fort, que viveu na República Dominicana e Chile.

Depois de navegar, caminhar, viajar de ônibus e táxis, a haitiana conseguiu chegar à Guatemala, para depois alcançar a cidade de Tapachula, que fica no estado de Chiapas, no México. Em seguida, ela partiu para a capital, onde tentar conseguir autorização para residir, depois trabalhar e conseguir seguir a vida.