A partir desta quinta-feira (04), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai expandir a realização dos testes para o Censo 2022. Até dezembro, 250 recenseadores percorrerão cidades dos 27 estados da federação.

A população do bairro de Paquetá, na capital carioca, foi a primeira a participar, em setembro deste ano. A partir de junho do ano que vem, o censo visitará todos os domicílios brasileiros.

Os próximos municípios do Rio de Janeiro que farão parte do teste serão Paulo de Frontin, no Sul Fluminense, e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde os recenseadores visitarão a primeira favela que fará parte do levantamento.

Também haverá coletas tanto em bairros de capitais como Belo Horizonte (MG), Macapá (AP) e Salvador (BA), quanto em locais mais afastados como Novo Remanso, a 200 km de Manaus (AM) e Tigrinhos (SC). Os municípios de São Caetano do Sul (SP) e Jardim Olinda (PR) também serão visitados neste primeiro momento.

Os testes incluem todas as etapas da pesquisa: os equipamentos e sistemas de coleta, o treinamento dos agentes e os levantamentos dos entornos das residências. Os modelos de entrevista serão mistos: presenciais, online e por telefone. O IBGE garante que todas as informações divulgadas serão sigilosas.

Em todas as abordagens, as equipes estarão uniformizadas com bonés, colete e bolsa azuis com a logomarca do instituto. No colete, haverá também o crachá de identificação, com as fotos, números de matrícula e identidade do entrevistador. Eles vão utilizar um Dispositivo Móvel de Coleta (DMC) de cor azul, semelhante a um smartphone. As pessoas poderão checar a identidade dos recenseadores no site do IBGE.

No dia 25 de novembro, os testes serão expandidos para comunidades indígenas e quilombolas. No Rio de Janeiro, as visitas serão nos municípios de Angra dos Reis e Paraty, na costa verde fluminense, onde serão testados todos os protocolos sanitários de segurança, normas de abordagem e questionários específicos para essas populações. O instituto ainda está levantando as outras comunidades que serão visitadas pelas equipes.

Primeiro teste do Censo 2022

No dia 16 de outubro deste ano, o IBGE finalizou os testes nos domicílios da população de Paquetá. Segundo os dados coletados, o bairro teve uma alta de 8,5% de idosos, em relação a 2010, quando foi realizado o último Censo Demográfico. Hoje, dos 3.612 habitantes da ilha, 31,6% têm mais de 60 anos. Já há 11 anos, dos 3.361 moradores, 23,1% pertenciam ao grupo. O índice de moradores nessa faixa etária no Brasil é de apenas 17,7%, segundo os dados divulgados pelo instituto em 2010.

Segundo a pesquisa, o bairro também teve aumento de potenciais eleitores, ou seja, pessoas com 16 anos ou mais. Hoje, 85,4% dos moradores estão aptos a ir às urnas, enquanto em 2010, eram 81%. Já em relação ao perfil da população, as mulheres seguem sendo maioria na Ilha. De todos os habitantes, 53,6% são do sexo feminino, contra os 51,53% de 11 anos atrás.

Os recenseadores visitaram 2.774 construções no bairro carioca. No entanto, somente 55,9% delas são endereços usados com o objetivo de moradia. Já das outras unidades, 24% são domicílios de uso ocasional, utilizados para fins de semana, férias e trabalho. Outros 6% são estabelecimentos, como restaurantes, escolas e igrejas e 13,6% estão vagos. Em média, são 2,3 pessoas morando em cada domicílio. O rendimento médio dos responsáveis pela residência é de R$ 3.613,47 por mês. No entanto, metade dessas pessoas têm salário igual ou inferior a R$ 2.300,00.

A Ilha de Paquetá foi escolhida para iniciar os testes porque mais de 85% da população já estava com esquema vacinal completo contra o novo coronavírus, após a campanha de vacinação em massa no bairro. Ela também fica próxima à sede do IBGE, o que reduz os custos operacionais. De acordo com o instituto, entre os objetivos do teste estão a calibragem de equipamentos, ambientação sobre a operação e a mobilização das equipes e da opinião pública.

Verbas do Censo

O Censo, que deveria ter sido realizado em 2020, foi adiado por conta da pandemia. Em 2021, não foi realizado por falta de verba, segundo o governo federal. Para 2022, chegou a ficar ameaçado. O IBGE informou que precisava de R$ 2,3 bilhões para realizar o levantamento, mas a União só havia previsto R$ 2 bilhões. O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o governo teria que prover os recursos para a realização do estudo.

Nesta terça-feira (2), o Instituto informou que a Secretaria Especial do Tesouro e Orçamento autorizou emenda ao Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) 2022 com a verba de R$ 2.292.907.087 para que o Censo seja realizado.