O dólar caía com força frente ao real nesta quinta-feira (11), chegando à casa dos R$ 5,405 nas mínimas da sessão em meio a expectativas crescentes de que o Banco Central endurecerá a Taxa Selic devido às pressões inflacionárias domésticas. A moeda brasileira estava com o melhor desempenho entre as principais divisas globais.

Às 13h39, a moeda norte-americana recuava 1,59%, a R$ 5,405 na venda.

Já o Ibovespa operava no azul, com alta de 2,30% no mesmo horário, aos 108.400,46, em alta de uma bateria de resultados corporativos, incluindo os números de JBS, enquanto a agenda macroeconômica mostrou uma queda acima do esperado nas vendas no varejo brasileiro em setembro.

Essa é a maior alta desde 25 de outubro.

Filipe Villegas, estrategista da Genial Investimentos, acredita que o cenário negativo já estava precificado. Assim, os fatores de risco não derrubaram a bolsa.

Outro ponto positivo para a B3 é a sessão de alta para ações de siderurgia e mineração, na esteira da alta dos preços de produtos ferrosos e siderúrgicos nas bolsas de futuros de commodities da China.

Os preços das commodities como aço e minério de ferro se valorizaram após informações de que a chinesa Evergrande Group havia feito pagamentos aos detentores de títulos, evitando o calote que o mercado tanto tinha medo.

O aço negociado para janeiro na Bolsa de Xangai teve alta de 8%, e encerrou a sessão a 7,4%, a 4.443 yuanes (US$ 695,13) a tonelada. O minério de ferro de janeiro na Bolsa de Commodity de Dalian avançou 6,8%, para 570,50 iuanes por tonelada.

Às 13h40, a Vale (VALE3) crescia 4,06%, a R$ 68,32.

Moeda dos EUA

A movimentação de hoje vem depois do real ter apresentado desempenho muito superior ao de alguns de seus principais pares emergentes, apesar da disparada internacional do dólar na esteira de dados de inflação mais fortes do que o esperado dos Estados Unidos.

A moeda norte-americana reflete também o fraco leilão de treasuries (título do tesouro dos EUA) com vencimento de 30 anos.

Inflação

Investidores da Bolsa de Valores atribuíram a resiliência recente da divisa brasileira a expectativas de que o Banco Central pode intensificar seu atual ritmo de elevação de juros, uma vez que dados domésticos sobre os preços ao produtor continuam a surpreender para cima.

Na quarta-feira, o IBGE informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,25% em outubro, após alta de 1,16% no mês anterior, alcançando a maior variação para o mês desde 2002 (1,31%). Em 12 meses, a alta foi de 10,67%, resultado mais forte desde janeiro de 2016 (+10,71%).

“Nossa avaliação é que o Banco Central precisa acelerar o ajuste da política monetária para evitar perder totalmente o controle sobre as expectativas, que já sinalizam perda da meta para a inflação em 2022”, disse a Genial Investimentos em nota.

A meta de inflação para o ano que vem é de 3,5%, com margem de tolerância de 1 ponto percentual para mais ou para menos. A taxa Selic está atualmente em 7,75% ao ano, após o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC promover alta de 150 pontos-base em seu último encontro.

Juros mais altos tendem a tornar o mercado de renda fixa doméstico mais atraente, consequentemente elevando a demanda pelo real.

PEC dos Precatórios

Investidores também estão de olho no noticiário em torno da PEC dos Precatórios. O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), que ficará a cargo da relatoria da proposta na Casa, afirmou acreditar que há chances de senadores manterem o texto aprovado pela Câmara. Ele não descartou, no entanto, que possa ser aprimorado.

Aprovada em segundo turno na terça-feira pela Câmara, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) modifica a regra de pagamento dos precatórios –dívidas do governo cujo pagamento foi determinado pela Justiça– e altera o prazo de correção do teto de gastos pelo IPCA.

Em relatório desta quinta-feira, o Bradesco disse que “a aprovação da PEC dos Precatórios na Câmara removeu parte das incertezas do cenário fiscal, mesmo com o prosseguimento da proposta no Senado, o que ajuda a explicar também a dinâmica dos mercados locais, especialmente curva de juros e taxa de câmbio.”

No mercado de juros futuros, as taxas dos principais DIs rondavam a estabilidade na curva até janeiro de 2027.

Na véspera, o dólar spot fechou em alta de 0,21%, a 5,5024 reais na venda.

Montanha russa da B3

Às 13h45, horário de Brasília, os principais destaques eram:

  • Azul (AZUL4) com alta de 10,93%, a R$ 29,33;
  • Via Varejo (VIIA3) tombando 11,63%, a R$ 6,23