O economista e ex-vice-presidente do Banco Mundial Otaviano Canuto afirmou que há duas incertezas que preocupam os investidores externos sobre o Brasil. Uma delas é a relacionada à evolução fiscal e, como o especialista disse, a outra é “quanto á imprevisibilidade do que vem de Brasília”.

“Não é por acaso que subjacente a nossa inflação alta de hoje tem a ver o fato de que o real não recuperou uma boa parte do valor que perdeu durante o auge da pandemia, diferentemente de outros mercados emergentes”, explicou Canuto.

O impasse na PEC dos Precatórios, que tramita no Senado, tem sido um dos grandes motivos de preocupação fiscal do mercado. A proposta é a principal aposta do governo para financiar o Auxílio Brasil, programa social sucessor do Bolsa Família.

Além disso, a corrida eleitoral para 2022 já começa a dar sinais de vida. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) está negociando uma filiação ao PL, enquanto o ex-juiz Sergio Moro se filiou ao Podemos.

“Agora vamos entrar em um período em que evidentemente as incertezas associadas ao processo eleitoral nas nossas circunstâncias vão fazer com que os agentes externos se sintam menos propensos a assumir o risco”, disse Canuto.