Indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o desembargador Kassio Nunes Marques se reuniu com senadores. Por volta das 19h, o magistrado se encontrou com o líder da Rede e da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Essas visitas a parlamentares em busca de apoio são recorrentes após a escolha do novo ministro pelo presidente da República, uma vez que cabe ao Senado sabatinar e votar a indicação.

A reunião com Randolfe Rodrigues aconteceu na residência do parlamentar e terminou por volta das 21h. Também estava previsto um jantar na casa da senadora Kátia Abreu (PP-TO), com cerca de oito senadores, logo em seguida.

Na chegada ao prédio onde moram Kátia e Randolfe, Kassio Marques foi questionado sobre o suposto “alinhamento 100%” com Jair Bolsonaro, afirmado pelo próprio presidente em redes sociais. O desembargador não quis dar entrevista.

Após a reunião, Randolfe conversou com jornalistas e disse que Kassio negou “peremptoriamente” a informação de que Wassef ou Flávio Bolsonaro tiveram participação na indicação. De acordo com o senador, o desembargador disse que tem convicções próprias favoráveis à prisão após condenação em segunda instância, mas que o tema deverá ser resolvido pelo Congresso.

O parlamentar do Amapá disse ter tido a impressão de que Kassio não está alinhado às pautas conservadoras, no que tange aos costumes, defendidas por Jair Bolsonaro. No fim de semana, o presidente disse que o desembargador estava “100% alinhado” com ele.

Mais cedo, Kassio participou de reunião virtual com pelo menos outros cinco parlamentares.

Nesse encontro, segundo apurou a GloboNews, o indicado foi questionado sobre posicionamento em relação à prisão após condenação em segunda instância. Ele lembrou que o tema está em debate no Congresso e disse que o Legislativo é quem vai definir os rumos nessa questão, que serão respeitados por ele.

Sobre a informação de que a indicação de Kassio ao STF contou com a influência do advogado Frederick Wassef, ex-representante da família Bolsonaro, o desembargador disse que a escolha foi exclusivamente de Jair Bolsonaro e negou a existência de “padrinhos”. Ele contou que buscou se aproximar do presidente por uma possível vaga no STJ e que sua postura como juiz pode ter agradado a Bolsonaro e motivado a escolha para o STF.

Kassio também foi perguntado se é colecionador de armas. O desembargador disse que, por morar em casa, tem duas armas, mas que não costuma andar armado.

Ele também já se reuniu com o líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre ( DEM-AP). O encontro com Alcolumbre ocorreu no fim de semana – também participaram o presidente Jair Bolsonaro e o ministro do STF Dias Toffoli.

A sabatina e as votações estão previstas para o dia 21 de outubro, na semana em que o Senado fará sessões semipresenciais.

Votações para indicados ao STF são secretas e, para ser aprovado, o nome escolhido precisa ter pelo menos 41 votos favoráveis.