Diante do ressurgimento do coronavírus que ameaça sobrecarregar os serviços de saúde, as autoridades britânicas decidiram  fechar bares em Liverpool e reativar três hospitais de campanha inaugurados na primavera europeia (outono no Brasil).

Com mais de 42.800 mortes e quase 618.000 casos positivos, o Reino Unido enfrenta uma nova onda de contágios, que agora afeta todo território e faixas etárias.

Determinado a evitar um confinamento geral, o governo conservador decretou restrições locais que agora afetam em torno de 25% da população britânica, especialmente no Norte.

Depois de liderar uma reunião de crise, o primeiro-ministro Boris Johnson apresentou aos parlamentares um novo sistema de alerta de três níveis – “médio”, “alto” e “muito alto” –, supostamente para simplificar a atual colcha de retalhos de restrições para a Inglaterra. As outras nações são competentes para aplicar seu próprio dispositivo.

O primeiro nível corresponde a medidas válidas para toda Inglaterra: confraternizações limitadas a seis pessoas e fechamento às 22h, para bares e restaurantes. No “alto”, em áreas atualmente sob restrições locais, reuniões entre diferentes famílias serão proibidas em ambientes fechados. Nas regiões com nível “muito alto”, medidas adicionais serão aplicadas com o apoio das autoridades locais e, se necessário, do Exército.

Na região de Liverpool (quase 1,5 milhão de pessoas), no Noroeste, foi firmado um acordo para o fechamento de pubs, bares, academias e cassinos, enquanto as discussões estão em andamento com as autoridades eleitas de outras áreas do norte da Inglaterra.

“Sei como é difícil, mas não podemos deixar o serviço nacional de saúde na mão quando há vidas em risco”, defendeu o primeiro-ministro conservador, diante da insatisfação de parte de seu campo político.

“Não é assim que queremos viver, mas é o caminho estreito que devemos traçar entre o dano socioeconômico de um confinamento total e o custo econômico de uma epidemia descontrolada”, justificou.

Dúvidas

As autoridades de saúde alertaram para a situação preocupante dos hospitais. O número de pessoas hospitalizadas com Covid-19 na Inglaterra é agora maior do que quando o confinamento foi declarado no final de março.

Nas regiões mais afetadas, os serviços hospitalares que não são diretamente responsáveis pela epidemia começaram a ter seu funcionamento prejudicado.

Para ajudar o sistema de saúde a lidar com a situação, três dos grandes hospitais de campanha montados na primavera – e, desde então, paralisados – foram instruídos a “se mobilizar nas próximas semanas para estarem prontos para receber os pacientes, se necessário”, anunciou o diretor médico do serviço de saúde da Inglaterra, Stephen Powis.

“Ainda não há tratamento, ainda não há vacina para a Covid-19. Infelizmente, isso significa que, à medida que as infecções aumentam, o número de mortos aumentará”, alertou Powis.

As novas restrições foram recebidas com hostilidade por autoridades locais eleitas do Norte da Inglaterra, que consideram as medidas de apoio ao emprego implementadas pelo Executivo insuficientes e temem que seu equilíbrio financeiro seja prejudicado.

Preocupada com um efeito “catastrófico” sobre a vida noturna de medidas “injustas e sem lógica científica”, a federação de bares e boates NTIA anunciou que quer contestá-las na Justiça.

Na sexta-feira (9), o governo anunciou novas medidas de assistência ao emprego destinadas a empresas que serão forçadas a permanecerem fechadas por causa das restrições de combate à pandemia.

Estas empresas receberão até 3.000 libras (cerca de 21.676 reais) por mês, e seus funcionários serão remunerados até dois terços de seu salário normal.