A declaração do secretário de saúde do Tocantins, Edgar Tollini, de que críticos pediriam ‘de joelhos’ por hospitais de campanha repercutiu entre órgãos de fiscalização no estado na quarta-feira (6). Em nota conjunta, os Ministérios Público Estadual, Federal e do Trabalho disseram considerar a fala ‘descabida e ofensiva’.

No texto, as instituições afirmam ser dever do Poder Executivo garantir acesso à saúde pública. Afirmaram também que os pedidos sobre os custos, fontes de recurso e detalhes técnicos sobre os hospitais foram feitos no cumprimento das funções de cada instituição.

“Em um quadro de normalidade democrática, jamais deve ser sugerida a necessidade de instituições clamarem por uma iniciativa que é própria do Estado”, diz um dos trechos da nota.

Os órgãos questionaram ainda porque a falta de leitos de UTI no estado não foi mencionada durante a reunião do Comitê de Crise, do qual tanto o secretário como os órgãos de fiscalização fazem parte. O texto finaliza dizendo que as instituições “lamentam o episódio de desentendimento neste momento peculiar, que requer um trabalho harmônico e articulado dos órgãos e instituições em favor da vida e do interesse público”.

O G1 procurou a Secretaria de Estado da Saúde para comentar a nota e aguarda retorno.

O documento é assinado pela procuradora-geral de Justiça, Maria Cotinha Bezerra Pereira; pelo procurador da República George Neves Lodder e pelo procurador do Trabalho Paulo Cézar Antun de Carvalho.

A fala

O Secretário de Saúde do Tocantins, Edgar Tolini, disse a deputados estaduais nesta terça-feira (5) que críticos da construção de hospitais de campanha para o combate ao novo coronavírus no estado vão pedir ‘de joelhos’ pelas estruturas. Ele respondia a perguntas dos parlamentares durante uma audiência na Assembleia Legislativa para falar sobre a pandemia.

“Eles vão pedir hospital de campanha de joelhos. Eu to falando pro senhor porque antes de eu fazer já me questionaram para saber quanto que ia gastar. E eu falo uma coisa para o senhor: prepare-se. Vamos gastar e nos preparar para gastar sem usar. Mas não vai ficar como está Araguaína”, disse ele.

A montagem dos hospitais do tipo nas três maiores cidades do Tocantins está estimada em R$ 4,7 milhões.

As informações são do  G1 Tocantins.