Uma delegação oficial de Israel chegou ao Bahrein para firmar um documento que estabelece relações diplomáticas com essa monarquia do Golfo, um mês depois da assinatura, na Casa Branca, de um acordo de normalização entre os dois países.

Representantes israelenses e do reino do Bahrein vão assinar um comunicado conjunto que marcará o estabelecimento de relações diplomáticas plenas, em aplicação do acordo firmado em 15 de setembro entre estes dois Estados em Washington.

Assim que o documento for assinado, em uma cerimônia marcada para este domingo ainda, Israel e Bahrein poderão abrir embaixadas, disse um funcionário israelense à AFP, que pediu para não ser identificado.

Segundo a mesma fonte, a abertura de uma embaixada israelense está prevista para acontecer nos próximos meses.

O acordo de normalização “representa um importante passo histórico para a conquista da segurança, da paz e da prosperidade”, disse o ministro barenita das Relações Exteriores, Abdellatif al-Zayani, no aeroporto de Manama.

“Este grande dia fará a paz se tornar realidade. Estas relações beneficiarão ambas as partes em diversos âmbitos”, afirmou o chefe do Conselho de Segurança Nacional israelense Meir Ben Shabat, que falou em árabe.

No domingo, o grupo extremista Estado Islâmico (EI) criticou os acordos de normalização. Em uma gravação de áudio transmitida pelo canal Telegram da organização, e atribuída a seu porta-voz, Abu Hamza El Qurachi, o EI afirmou que os Emirados e o Bahrein traíram o Islã, ao retomar suas relações com Israel.

Pequena monarquia onde os EUA mantêm sua base da V Frota, o Bahrein se tornou o quarto país árabe a normalizar as relações com Israel.

Bahrein e Emirados Árabes Unidos, outra monarquia árabe do Golfo, assinaram acordos em separado com Israel, em 15 de setembro, em uma cerimônia na Casa Branca.

Após o acordo de paz Egito-Israel, em 1979, e o acordo com a Jordânia, em 1994, os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein se tornaram o terceiro e o quarto países árabes a decidirem normalizar as relações com Israel.

Cooperação econômica

Os palestinos condenaram esses acordos, que chamaram de “traição” às suas aspirações de criar seu próprio Estado independente. Até então, a resolução do conflito entre israelenses e palestinos era uma condição prévia para a normalização das relações de Israel com os Estados árabes.

Antes de sua partida de Tel Aviv, Ben Shabat disse à imprensa que as reuniões no Bahrein têm como objetivo “traduzir em programas concretos os acordos firmados na Casa Branca” – como, por exemplo, no turismo, aviação, ciência e tecnologia.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, que embarcou para Manama com a delegação israelense, destacou a “oportunidade” que estes acordos representam para as economias dos países envolvidos – em especial no campo da tecnologia.

O  primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, elogiou o que chamou de “acordo histórico de paz” com o Bahrein.

“Espero poder lhes contar em breve sobre mais países”, declarou ele, dirigindo-se a seu gabinete.

Netanyahu disse várias vezes que outros países árabes poderão estabelecer relações oficiais com Israel, considerando que, agora, estão dando prioridade ao aspecto econômico, e não à solução do conflito israelense-palestino, que dura há mais 50 anos.

Emirados e Bahrein nunca estiveram em conflito com Israel e compartilham sua animosidade em relação ao Irã, inimigo dos Estados Unidos na região.

Governado por uma monarquia sunita, o Bahrein acusou o Irã xiita de causar distúrbios no reino desde 2011, quando as autoridades reprimiram as manifestações de sua comunidade xiita, exigindo reformas.

A normalização com Israel provocou manifestações na população xiita de todo país.