Jornalistas e ativistas denunciaram nesta segunda-feira (27) a retirada de milhares de pessoas que apresentaram documentos falsos para embarcar em voos operados pela comunidade internacional após a chegada dos talibãs ao poder no Afeganistão.

Nasir Akhtarzai, fundador do Grupo de Jornalistas e da Sociedade Civil do Afeganistão, relatou à Agência Efe que diretores de veículos de imprensa e de organizações civis “produziram documentos falsos para milhares de pessoas”, entre elas, familiares, para retirá-los do país como profissionais de mídia ou ativistas.

“Já enviaram milhares deles para o exterior e estão tentando evacuar o restante”, disse Akhtarzai. O representante da organização denunciou o caso de uma emissora de televisão que só veiculava músicas na programação, não tinha jornalistas contratados, mas que utilizou contatos no exterior e tenta retirar parentes dos diretores do território afegão.

“Os verdadeiros jornalistas e membros da sociedade civil que ficaram em Cabul estão realmente em perigo”, afirmou Akhtarzai. O dirigente fez um apelo para que os países que estão recebendo os refugiados verifiquem os documentos de cada um que chegou e que busquem só auxiliar na retirada daqueles que estão em situação de risco verdadeiro.

“Atualmente, não há nenhuma organização no Afeganistão que esteja responsável por essa situação, que escute as preocupações dos jornalistas e que encontre uma saída”, disse. Com a chegada dos talibãs ao poder, a situação para os profissionais de imprensa se degradou no território afegão, com agressões feitas por integrantes do grupo fundamentalista e também com o fechamento de inúmeros veículos.

Ao menos 153 dos 500 meios de comunicação ativos no país, incluindo os de televisão, rádio, jornais e agências de notícias, fecharam as portas desde a ascensão dos talibãs. Durante as evacuações realizadas pelas forças internacionais, coordenada pelos Estados Unidos e outros países, mais de 120 mil pessoas deixaram o Afeganistão desde 15 de agosto.