A Justiça de São Paulo determinou que um banco detalhasse transações financeiras ligadas ao escritório de advocacia relacionado a Ricardo Salles. O pedido foi feito antes de o ex-ministro da Saúde pedir para sair do cargo. A informação é do jornal Folha de S. Paulo.

Segundo a reportagem, a ordem atendeu a um pedido do MP-SP (Ministério Público de São Paulo).

A justiça investiga, em inquérito sigiloso, suspeitas de enriquecimento ilícito de Salles, enquanto ele ainda era secretário de Meio Ambiente na gestão de Geraldo Alckmin (PSDB), em São Paulo.

Entre as solicitações,  estão os CNPJs e CPFs dos responsáveis pelos depósitos na conta do escritório.

SAÍDA DO MINISTÉRIO

Ricardo Salles pediu demissão na 4ª feira (23.jun). Assume o cargo Joaquim Alvaro Pereira Leite.

“Eu vim anunciar que apresentei ao presidente da República [Jair Bolsonaro] e ele já aceitou e foi publicado o meu pedido de exoneração do cargo de ministro de Estado do Meio Ambiente. Cargo esse que muito me honrou o convite e eu desempenhei da melhor forma possível ao longo de 2 anos e meio”, disse na ocasião.

OUTRAS INVESTIGAÇÕES

Em 19 de maio, a Polícia Federal deflagrou busca e apreensão em endereços ligados a Salles e ao Ministério. A ação teve como objetivo, segundo a PF, apurar crimes de corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e facilitação de contrabando. Os delitos teriam sido praticados por agentes públicos e empresários do ramo madeireiro.

A operação, batizada de Akuanduba, foi deflagrada por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

A decisão judicial ainda determinou a quebra dos sigilos fiscal e bancário de Salles. A casa do ministro do Meio Ambiente, na região central de São Paulo, o imóvel funcional que ele ocupa em Brasília e um gabinete da pasta no Pará estão entre os endereços visitados pelos agentes da PF. Somente 19 dias depois da operação, Salles entregou o seu celular à PF.

Há ainda um outro caso envolvendo Salles no Supremo. Em 31 de maio, a PGR (Procuradoria Geral da República) pediu para o STF abrir um inquérito contra o ministro. A solicitação tinha o objetivo de apurar crimes de advocacia administrativa, obstrução de Justiça e organização criminosa. A ministra Cármen Lúcia, do Supremo, é a relatora.

O pedido de inquérito deriva da notícia-crime apresentada em abril pelo ex-superintendente da PF no Amazonas Alexandre Saraiva. Ele acusou Salles de atuar em favor de madeireiros investigados da Operação Handroanthus GLO, que mirou a extração ilegal de madeira na Amazônia no final do ano passado.

A PGR solicitou a oitiva dos madeireiros investigados pela PF e dos agentes de fiscalização da corporação e do Ibama que atuaram na Handroanthus GLO. Pediu ainda cópia digitalizada dos procedimentos de investigação relacionados a crimes ambientais e uma inquirição de Salles.