Moradores de Goma, cidade na República Democrática do Congo que precisou ser esvaziada com a erupção do vulcão Nyiragongo, relatam saques e furtos nas casas. Habitantes da região temem aumento da criminalidade, principalmente se outra evacuação for necessária caso haja nova atividade sísmica na localidade.

Em entrevista à agência France Presse, Augustin Kambale, morador do bairro de Buhene — onde escorreu um rio de lava incandescente em 23 de maio —, relatou roubos e estragos na noite da erupção.

“Os bandidos vieram na minha casa, quebraram a porta e a janela. Roubaram a televisão, as mesas, tudo! Quando voltamos a encontramos, só restavam algumas roupas no chão”, conta Kambale.

No distrito de Mapendo, localizado ao longo da fronteira com Ruanda, moradores também relataram roubos. “Mas, felizmente, não sofremos danos significativos”, afirmou George Rwagaza, presidente do conselho juvenil local.

A região passou por outra retirada forçada das casas em 27 de maio, quando um tremor gerou medo de uma nova erupção. Novamente, áreas ao redor de Goma ficaram desertas. Houve apenas alguns roubos, disseram fontes à AFP.

Insegurança

Durante a ordem de evacuação, o governador militar, General Constant Ndima, afirmou que as partes desertas da região de Kivu do Norte seriam protegidas pelo exército e pela polícia.

No entanto, essa presença é pouco visível durante o dia e à noite em bairros como Buhene, Bujumbu ou Murara, onde os moradores se organizaram para monitorar seus bens, casas, negócios e outras propriedades privadas.

“A criminalidade é relativamente alta em circunstâncias normais em Goma e houve casos de roubos nos últimos dias”, disse o chefe de uma ONG.

“Brigadas de jovens foram formadas para prender os ladrões”, confirma Solha Nzilamba, uma autoridade da sociedade civil em Kivu do Norte. A questão é que alguns desses voluntários matam os bandidos que capturam, o que é ilegal.

“Como foi um militar quem deu a ordem de evacuação, anunciando que os militares iam garantir a segurança da cidade, acho que muitos ladrões tinham medo de serem mortos ou punidos severamente”, continua Nzilamba.