Os Estados Unidos gastaram mais de R$ 4,5 trilhões durante a guerra do Afeganistão, que durou 20 anos e terminou somente em agosto último, após as tropas norte-americanas deixarem o país, novamente, nas mãos do Talibã. As informações foram divulgadas pela CNN nesta quinta-feira (7). 

Segundo um levantamento obtido pelo canal de TV americano, construções e compras feitas com o dinheiro dos contribuintes dos Estados Unidos tiveram pouco uso ou viraram elefantes brancos no Afeganistão ao longo dos 20 anos de ocupação.

Entre os itens destacados, estão aviões cargueiros que foram usados por apenas um ano e custaram aos cofres públicos norte-americanos aproximadamente R$ 2,7 bilhões. Seis anos após a entrega das aeronaves, os 16 aviões foram vendidos como sucata por R$ 220 mil.

Os norte-americanos construíram até uma usina de energia, batizada de Tarakhil. O local tinha o objetivo de ser uma opção secundária de energia para Cabul, capital do Afeganistão.

O país, que tem eletricidade gerada no Uzbequistão, passaria a ter uma fonte própria para abastecer a cidade, que custou aos americanos cerca de R$ 1,8 bilhão. Entretanto, por seus geradores funcionarem a diesel e o combustível ser extremamente caro no Afeganistão, o governo local usou apenas 2,2% da capacidade total da usina.

Os desperdícios se estendem até a uniformes camuflados para florestas, que cobrem apenas 2,1% do território do Afeganistão. Segundo levantamento, a escolha de tecido equivocada feita pelo exército afegão custou 50% a mais aos EUA. Aproximadamente R$ 150 milhões foram gastos em uniformes de reposição com a camuflagem errada.

As tropas americanas também construíram um quartel de 20 mil m² no deserto, no valor total de cerca de R$ 110 milhões. Porém, a instalação nunca foi usada pelos Estados Unidos e, pouco tempo depois, abandonada pelos próprios soldados do Afeganistão.

Entre as obras norte-americanas, também estão uma estrada de cerca de R$ 1,4 bilhões que deveria contornar o Afeganistão. Apenas 15% da via foi construída, boa parte deste trecho se deteriorando com o tempo.

Um hotel e um conjunto de condomínios em Cabul, ao lado da embaixada dos Estados Unidos, também nunca foram terminados. Estima-se que os norte-americanos tenham feito o empréstimo de aproximadamente R$ 470 milhões para o empreendimento.

Um relatório de 2015 aponta que um terço dos 510 projetos de saúde no Afeganistão nunca existiram. O Sigar (sigla em inglês para Inspetoria Geral Especial para a Reconstrução Afegã) estima que mais de R$ 100 bilhões foram “perdidos para o desperdício, fraude e abuso”.