O líder republicano no Senado dos Estados Unidos, Mitch McConnell, disse em discurso que o presidente Donald Trump incitou os extremistas que invadiram o Capitólio em 6 de janeiro.

“A invasão se alimentou de mentiras. Eles foram incitados pelo presidente e outras pessoas poderosas”, disse McConnell.

A declaração do republicano vem em um momento que o Senado se prepara para receber o processo de impeachment contra Trump, aprovado na Câmara.

O presidente é acusado de incitar a insurreição, porque, momentos antes do ataque ao Congresso, ele fez um discurso em que disse que marcharia junto com os apoiadores até o Capitólio. Naquele momento, os congressistas faziam uma sessão que formalizaria Joe Biden como presidente eleito, o último passo antes da posse, que ocorre nesta quarta (20).

Como o julgamento entre os senadores só ocorrerá depois de Biden ser empossado, a votação terá importância mais simbólica e poderá levar a outra decisão: a de tornar Trump inelegível.

Para que o Senado condene o presidente, são necessários dois terços dos votos dos senadores. Neste momento, os republicanos ocupam metade das cadeiras. Assim, seria necessário que ao menos 17 correligionários de Trump se unissem a democratas para aprovar a cassação. Uma sinalização de McConnell nesse sentido era considerada essencial para isso.

McConnell comanda a pauta no Senado até que, com a posse da vice-presidente eleita Kamala Harris, os democratas tenham maioria graças ao voto de minerva da vice — democratas e republicanos dividem o mesmo número de cadeiras. Durante os quatro anos de governo Trump, McConnell estava entre os maiores apoiadores do presidente no Congresso.

Entretanto, o senador passou a adotar uma postura mais crítica desde a invasão ao Capitólio. Em discurso momentos antes de os extremistas entrarem no prédio, McConnell fez um discurso pedindo que os republicanos aceitassem que Biden se elegeu presidente dos EUA.