O Rio de Janeiro perdeu mais três profissionais de saúde nas últimas 72 horas, todos vítimas de Covid-19. O caso mais recente confirmado é o do cardiologista Luiz Sérgio Peixoto Herthal do Espirito Santo, que por muitos anos atuou no Hospital Federal dos Servidores do Estado.

O obstetra Paulo Afonso Chamma e o cardiologista Sergio Alves Fagundes também perderam a batalha contra a doença na última quinta (23). Segundo o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj), já são oito os casos de médicos mortos por Covid-19 no estado.

De acordo com dados divulgados pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), 12 profissionais de saúde do Rio, entre técnicos e enfermeiros,também tiveram suas mortes em decorrência do novo coronavírus. As informações apontam que as vítimas tinham entre 38 e 46 anos, sendo 10 do sexo masculino e dois do sexo feminino. Além deles, mais seis casos ainda estão sob investigação.

Segundo o Sindicato dos Médicos, no último sábado (25), a clínica geral de uma UPA da Zona Norte teria morrido sob suspeita de Covid-19. Com mais de 60 anos, a médica continuava cumprindo 48 horas semanais de trabalho, mesmo pertencendo ao grupo de risco.

Ainda de acordo com o sindicato, no último dia 23, o órgão teve o pedido de liminar indeferido pela Justiça do Trabalho sobre o afastamento imediato de atividades presenciais de profissionais de saúde pertencentes ao grupo de risco, que incluem: idosos com 60 anos ou mais, gestantes, pessoas com doenças respiratórias e crônicas, cardiopatas, diabéticos, hipertensos e portadores de outras afecções do sistema imunológico.

Na linha de frente no combate ao novo coronavírus, os profissionais mais expostos à contaminação são os médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e maqueiros. Muitos deles, tiveram a doença agravada por fazer parte do grupo de risco e vieram a perder suas vidas.

O técnico de enfermagem, Jorge Alexandre de Oliveira Andrade, de 45 anos, tinha diabetes, hipertensão e obesidade. Mesmo assim, permaneceu exercendo suas funções no Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, unidade referência no tratamento da doença, até ser diagnosticado e internado em um hospital particular de Campo Grande. Sua morte foi confirmada no dia 13.

Profissionais do Lourenço Jorge fizeram uma salva de palmas na porta da unidade em homenagem ao amigo no dia seguinte à morte. “Nosso amigo da enfermagem, sentiremos saudades. Que Deus conforte os corações em luto. Descanse em paz”, dizia um cartaz feito pela equipe do hospital.

A também técnica de enfermagem Anita de Souza Vianna, de 63 anos, teve sua morte confirmada em decorrência da covid-19, no último dia 16. Ela trabalhava na linha de frente do combate ao coronavírus, no Hospital Ronaldo Gazolla, de onde precisou ser transferida por falta de leitos disponíveis. Ela ficou internada por quatro dias no Hospital Estadual Zilda Arns, em Volta Redonda, mas não resistiu, deixando três filhas e o marido.

Mesmo não tendo nenhum tipo de comorbidade, outros diversos profissionais de saúde também já morreram de Covid-19 no Rio.