Felix Maradiaga, pré-candidato a presidente da Nicarágua, foi preso na terça-feira (8) na capital Manágua. É a terceira detenção de um candidato opositor do presidente Daniel Ortega, que comanda o país centro-americano em um regime autoritário, neste mês de junho.

As autoridades nicaraguenses acusam  Maradiaga de tramar contra a “independência, a soberania” e de “incitar a ingerência estrangeira” e pedir “intervenções militares”. O político disse em nota que as acusações são falsas.

“O Ministério Público, controlado por Daniel Ortega e Rosario Murillo [primeira-dama e vice-presidente], é um instrumento político do regime, cujo objetivo é impedir que haja eleições livres e transparentes no próximo novembro, como manda a Constituição”, disse a assessoria do político.

Além de Maradiaga, o motorista e um advogado do pré-candidato foram presos.

Ortega está no poder desde 2007 e busca a terceira reeleição consecutiva. Antes disso, ele governou a Nicarágua entre 1985 e 1990.

Adversários de Ortega são presos

Maradiaga se soma a Arturo Cruz e Cristiana Chamorro entre os pré-candidatos a presidente da Nicarágua nas eleições de novembro detidos pelo regime de Daniel Ortega.

Na quarta-feira (2), a polícia invadiu a casa de Cristiana Chamorro, filha da ex-presidente Violeta Barrios de Chamorro (eleita em 1990, derrotando Ortega) e apontada como a candidata da oposição com mais chances de vencer a disputa; ela é acusada de lavagem de dinheiro e se encontra em prisão domiciliar.

No sábado (5), Cruz foi preso no aeroporto de Manágua, na capital do país, ao retornar de uma viagem dos EUA, de acordo com informações da sua equipe dadas à agência Reuters.

O Ministério Público da Nicarágua afirmou que a investigação contra Cruz é baseada em “fortes evidências de que ele atacou a sociedade nicaraguense”, mas não deu detalhes sobre quais seriam as acusações.