Medicamentos e sedativos necessários para tratar pacientes diagnosticados com o novo coronavírus continuam em falta nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA’s) de Palmas, segundo o Ministério Público do Tocantins (MPTO). O órgão informou que em uma das unidades faltam remédios de “extrema necessidade” e a outra está com escassez de itens do “kit intubação”.

O MP informou que os problemas podem causar interrupção do tratamento de pacientes com Covid-19. Segundo o órgão, o desabastecimento de medicamentos “configura descumprimento de uma sentença judicial datada de agosto de 2020”. Na época foi dado prazo de 90 dias para que a Prefeitura regularizasse o fornecimento de todos os remédios, materiais e insumos que são responsabilidade da gestão municipal.

Questionada, a Secretaria Municipal da Saúde de Palmas (Semus) disse ao G1 que utiliza diversas alternativas para sedação e manutenção de pacientes graves que precisam ficar intubados por longo período. Afirmou ainda que processos de aquisição em andamento. Veja nota na íntegra ao fim da reportagem.

Nesta segunda-feira (3) o órgão pediu à Justiça que o secretário de saúde da capital seja intimado para prestar informações, com urgência, sobre o desabastecimento.

Conforme o Ministério Público, no pedido de esclarecimentos foi anexada uma lista de 17 medicamentos que estavam em falta na UPA Sul até o dia 26 de março. Todos os itens farmacêuticos são indispensáveis para o tratamento de pacientes com Covid-19.

Quanto a UPA Norte, o problema apontado pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) no dia 26 de março é a escassez bloqueadores neuromusculares e sedativos. O relatório, que foi feito após fiscalização no local, também foi anexado ao processo judicial.

A promotora de justiça Araína Cesárea D’Alessandro, da área de defesa da saúde, pediu que a Prefeitura informe a previsão de regularização dos insumos e o prazo de duração do estoque que será renovado.

O que diz a Prefeitura de Palmas

A Secretaria Municipal da Saúde de Palmas (Semus) informa que utiliza diversas alternativas para sedação e manutenção de pacientes graves que necessitem permanecer intubados por longo período. Estão disponíveis os seguintes medicamentos para este fim: Midazolam, Fentanila, Dexmedetomidina, Propofol, e alguns neurobloqueadores musculares tais como Rocurônio, Pancurônio, Cisatracurio, Atracúrio e demais medicamentos pertinentes para adversidades, estabilização, reanimação de pacientes e manejo da dor.

Não é possível mensurar a durabilidade do estoque, uma vez que a quantidade em estoque atual condiz com a quantidade de leitos ativos, podendo diminuir conforme o aumento repentino dos casos. A Semus ressalta que a ausência de matéria prima de tais medicamentos, problemas com importação e o alto consumo e baixa produtividade levaram a elaboração de novos protocolos para manutenção da sedação, utilizando antipsicóticos como Hemifumarato de Quetiapina e Risperidona.

Existem processos de aquisição em andamento, em fase de cotação, porém a previsão do reabastecimento está intrinsecamente ligada à produção mundial em larga escala e existência de matéria prima.

Por  G1 Tocantins.