Em entrevista exclusiva à, o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, descreveu as estratégias planejadas pelo governo federal para eliminar o desmatamento ilegal nas florestas brasileiras, principalmente na Amazônia. Uma das ações, segundo Leite, é intensificar a atuação conjunta dos ministérios do Meio Ambiente, da Justiça e do Desenvolvimento Regional.

O ministro também destacou o lançamento do programa Floresta Mais, que planeja remunerar quem atua na preservação e restauração das florestas.

“É um programa de pagamento por serviços ambientais. O que significa? Criar um mercado de serviços ambientais. Provavelmente, será o maior mercado do mundo de serviços ambientais. É você remunerar quem cuida da floresta”, afirmou. Com isso, o governo prevê a geração de empregos de brigadista, de guarda-parque e de guarda florestal, entre outros.

“Eles irão atuar diretamente em algumas regiões. Algumas, protegendo a floresta nativa que já está no território, outras, restaurando. A restauração será muito importante nesse processo para geração de crédito de carbono de vegetação nativa”, pontuou.

O mercado de crédito de carbono, votado em consenso na COP26 (26ª Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas), também é uma aposta para o ministro. Leite avalia que o Brasil conseguirá exportar créditos e, com isso, realizar uma transição econômica sustentável e justa.

“O mercado de carbono que foi acordado em consenso na COP26 é uma outra alternativa para a gente crescer de uma forma que reduza as emissões. Projetos baseados em conservação de floresta nativa ou restauração de área de floresta nativa, setores de papel celulose e etanol já podem apostar nesse novo mercado.”

Ao comentar os planos de ampliar a atuação conjunta de órgãos do governo no combate ao desmatamento, Joaquim Leite destacou a colaboração da Polícia Federal junto às agências fiscalizadoras já presentes na Amazônia.

“Junto com o crime de desmatamento ilegal, muitas vezes acontecem outros crimes, e a Polícia Federal vai atuar junto com o Ministério da Justiça. Será Ibama, ICMBio, Força Nacional e Polícia Federal, que vão atuar de forma contundente para eliminar o desmatamento ilegal na Amazônia”. Leite acrescentou que a cooperação entre os ministérios é o que “trará solução para a gente zerar o desmatamento ilegal no Brasil, especialmente na Amazônia”.

O ministro também criticou a postura dos países mais desenvolvidos e poluidores na COP26. Leite falou em uma “frustração” não só do Brasil, mas de todos os países em desenvolvimento em relação aos recursos prometidos pelos mais ricos.

“Os países desenvolvidos, maiores poluidores, não se prepararam para a Conferência do Clima de 2021 e não vieram com os recursos prometidos em 2020. Nós já estamos em 2021 e eles estão postergando estes recursos para 2024. Eu acho que essa é uma frustração”, afirmou. “Não vai haver uma transição justa sem recursos e tecnologia.”