O presidente do Cazaquistão, Kasym-Jomart Tokayev, confirmou nesta quarta-feira (12) que os mais de 2 mil soldados da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC) que estão no país iniciarão uma retirada por etapas a partir de amanhã.

Tokayev já havia anunciado a retirada dos soldados da aliança militar liderada pela Rússia — e que inclui as também ex-repúblicas soviéticas Armênia, Belarus, Quirguistão, Tadjiquistão e Cazaquistão — durante o discurso que fez ontem no Parlamento cazaque, mas a OTSC disse no mesmo dia que não havia recebido uma notificação.

“Amanhã começa a retirada organizada do contingente de manutenção da paz da OTSC. Falei com os líderes dos países correspondentes”, declarou Tokayev durante uma visita a Almaty, a maior cidade do Cazaquistão e o epicentro dos protestos violentos que abalaram o país na semana passada.

O presidente cazaque pediu ajuda à aliança militar no último dia 5, três após o início dos protestos, inicialmente motivados por forte aumento no preço do gás liquefeito.

As manifestações ganharam contornos políticos, estimuladas pelo descontentamento dos cidadãos com as elites e a corrupção, e rapidamente se transformaram em violentos distúrbios, sendo reprimidos pelas forças cazaques em uma operação “antiterrorista”, como descreveu o governo.

Os protestos tiveram até agora saldo de 164 pessoas mortas, quase mil feridas e 10.000 detidas.

Tokayev, que na terça-feira afirmou que sem a ajuda da OTSC o governo cazaque poderia ter perdido completamente o controle sobre Almaty e a capital, Nursultan, declarou hoje que a própria presença do contingente de manutenção da paz da aliança no Cazaquistão “teve um papel muito importante na estabilização da situação”.

“Claro, foi de grande importância psicológica para repelir a agressão de terroristas e bandidos”, acrescentou.