Moradores do setor Jardim Vitória I, que reúne casas populares na região sul de Palmas, tomaram um susto ao receber as primeiras contas de água e energia elétrica nos novos lares. Eles se mudaram em agosto, após anos aguardando a entrega das casas. Como os imóveis têm placas solares e o setor é um dos que tem a tarifa social, foi uma surpresa desagradável receber boletos com valores que passaram de R$ 200 para água e de até R$ 400 para a energia.

“Eu moro sozinha, saio de manhã de casa e chego cinco horas da tarde. Tomo um banho e me deito, nem janta eu faço. A minha rotina é essa. Eu fiquei surpresa com o valor da minha água”, conta Antônia Toneílsa, que recebeu uma conta de mais de R$ 160.

No caso de Isabel Lima Paixão, a conta foi ainda mais alta, de R$ 209,48. “A minha indignação maior é pelo seguinte. Tem 10 anos que eu moro em Palmas. Eu nunca paguei um preço absurdo desse. O máximo que eu já paguei foi R$ 85 e isso a gente morando em kitnet, dividindo a mesma água com mais quatro casas”.

“Eles não mostram pra gente o que essa placa solar tá consumindo para dar esse desconto pra gente. Só vem essa fatura, a gente liga lá e diz que não pode fazer nada. Diz que é para a gente chamar um eletricista por fora para olhar se tem algum vazamento de energia. Mas a casa é nova, tá na garantia ainda pela construtora”, reclama Derivaldo Pereira Martins, que recebeu uma conta de luz de quase R$ 385 e uma de água de R$ 256,18.

A conta de mais de R$ 400 é da Aldeni Santos de Melo, que não encontra uma explicação para o salto no valor. “São os mesmos equipamentos eletrônicos que eu tenho em casa. A única diferença é que eu só mudei de endereço”. No bairro todo moram 500 famílias e várias delas tiveram o mesmo problema.

O que diz a Energisa

A Energisa informou que analisou os casos dos clientes citados na reportagem, inclusive com visita técnica, e confirmou que as informações das faturas estão corretas e já incluem o abatimento da energia gerada pelas placas solares das residências.

A empresa reforçou que o cliente deve estar atento à capacidade de geração de energia das placas para conseguir controlar o consumo e evitar surpresas na conta.

A Energisa ainda destacou que equipes percorreram o Residencial Jardim Vitória para explicar aos moradores sobre o funcionamento da geração de energia solar e reforçar orientações de consumo consciente de energia, principalmente em períodos de altas temperaturas.

Sobre a Tarifa Social, a empresa informou que os clientes cadastrados no benefício possuem descontos até o consumo de 220 KWH, incluindo a isenção do ICMS. Ao ultrapassar esse consumo, como foi o caso dos clientes citados, a tarifa é cobrada normalmente.

O que diz a BRK

A gerente operacional da BRK Ambiental, Sandra Leal, informou que os moradores receberam novas orientações.

“Eles foram inicialmente orientados com relação a consumo, a necessidade de estar realizando vistorias nas ruas instalações internas para que eles pudessem garantir ai a cobrança de uma fatura condizente com a sua condição de consumo. A maioria dos moradores estão realmente cadastrados como cliente de tarifa social, só que a tarifa social está diretamente associada ao consumo. Então se o cliente tem o consumo muito elevado ele acaba perdendo parte desse beneficio ou todo o benefício”.

Ela informou ainda que a concessionária agendou para a próxima semana uma visita ao setor e que vai revisar individualmente cada uma das faturas. Ainda de acordo com ela, se houver necessidade, os valores podem ser revistos.

As informações são do G1 Tocantins.