O ex-ministro da Justiça Sergio Moro afirmou, em uma rede social que tem visto uma campanha de mensagens falsas com o objetivo de desqualificá-lo. O ex-juiz disse não se preocupar com o movimento e declarou que já passou por isso “durante e depois da Lava Jato”.

Moro pediu demissão do Ministério da Justiça na última sexta-feira (24), depois de um ano e quatro meses à frente da pasta. Na ocasião, o ex-juiz afirmou que o presidente Jair Bolsonaro tentava interferir politicamente no comando da Polícia Federal, órgão ligado ao Ministério da Justiça.

“Tenho visto uma campanha de fake news nas redes sociais e em grupos de WhatsApp para me desqualificar. Não me preocupo; já passei por isso durante e depois da Lava Jato”, afirmou moro neste domingo em uma rede social.

Na sequência, em uma referência ao slogan de campanha de Jair Bolsonaro nas eleições de 2018, Moro escreveu: “Verdade acima de tudo. Fazer a coisa certa acima de todos”. O presidente com frequência afirma: “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos”.

Na última sexta-feira, Moro exibiu à TV Globo reprodução de conversa que teve com Bolsonaro, na qual o presidente sugere troca no comando da PF em razão de investigações que envolvem aliados do chefe do Executivo.

Já o presidente da República foi a uma rede social neste domingo para dizer que Sergio Moro mentiu sobre interferência na Polícia Federal. Bolsonaro disse não ter trocado nenhum superintendente da PF.

“Lamentavelmente o ex-ministro mentiu sobre interferência na PF. Nenhum superintendente foi trocado por mim. Todos foram indicados pelo próprio ministro ou diretor-geral. Para mim os bons Policiais estão em todo o Brasil e não apenas em Curitiba, onde trabalhava o então juiz”, disse Bolsonaro.

Não foi a primeira vez que Moro e Bolsonaro utilizaram redes sociais para trocar recados após o ex-juiz deixar o Ministério da Justiça.

No sábado (25), Bolsonaro afirmou que apoiou Moro no episódio do vazamento de supostas mensagens de Moro pelo site The Intercept. Na postagem, o presidente não contestou a reprodução de conversa exibida por Moro, na qual Bolsonaro sugere troca no comando da PF.

Pouco tempo depois, Moro respondeu, também por meio de rede social. Ele disse ter apoiado o presidente quando Bolsonaro foi “injustamente” atacado. O ex-ministro afirmou ainda que preservar a Polícia Federal de interferência política é “uma questão institucional, de Estado de Direito, e não de relacionamento pessoal”.

Repercussão

As conversas exibidas por Sergio Moro à TV Globo voltaram a repercutir no meio político neste domingo. Veja algumas das manifestações:

Humberto Costa (PT-PE), senador

“As acusações são muito graves. Os indícios apresentados são muito fortes, de que o presidente da República tenha tentado interferir politicamente em investigações realizadas pela Polícia Federal sobre pessoas do seu entorno. Esses indícios, inclusive, são suficientes para que o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal abram investigações para apurar autoria de crime de responsabilidade por parte do presidente. E só lamentamos que, só agora, o ex-ministro tenha trazido esses fatos que, tudo indica, já acontecem há algum tempo.”

Alessandro Molon (RJ), líder do PSB na Câmara

“Nesta segunda-feira (27), nós do PSB vamos dar entrada no pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro, com base nas gravíssimas denúncias de crimes de responsabilidade feitas pelo ex-ministro da Justiça contra o presidente. Enquanto o presidente da Câmara avalia esse pedido de impeachment, nós vamos lutar para instalar a CPI que o PSB está pedindo para que já comecem as investigações dos crimes praticados pelo presidente. Nós lamentamos ter que fazer isso em um momento como esse tão difícil que o Brasil vive, mas, diante dos seguidos crimes que o presidente vem praticando, a nossa omissão seria imperdoável.”

Jarbas Vasconcelos (MDB-PE), senador

“Eu julgo de muita importância para o interesse do país que sejam apuradas o mais rápido possível as denúncias que Moro formulou contra o presidente da República. É importante que isso seja rápido, seja eficaz e que se procure ir a fundo na questão e, partir daí, ver quais são os seus desdobramentos. A Polícia Federal é e sempre foi uma instituição do país da maior seriedade. E essa seriedade deve ser preservada. A PF deve ter a sua autonomia sempre reforçada e ficar indiferente a qualquer interferência política, seja ela qual for.”

Alessandro Vieira (Cidadania-SE), senador

“As mensagens divulgadas pelo ex-ministro Sergio Moro são gravíssimas. Elas comprovam a prática de interferência política direta do presidente da República, que parece querer proteger amigos e parentes, ao mesmo tempo, em que pretende perseguir adversários. Isso é muito grave. Vai ter consequências jurídicas e será muito cobrado no Congresso e, certamente, na Justiça.”