Morreu  aos 94 anos, no Rio de Janeiro, o escritor Rubem Fonseca. De acordo com a coluna de Lauro Jardim, ele sofreu um infarto na hora do almoço. Levado às pressas para o Hospital Samaritano, em Botafogo, ele não resistiu.

Autor de alguns dos livros mais emblemáticos da literatura brasileira , como “Agosto” e “A coleira do cão”, ele completaria 95 anos em maio.

A partir dos anos 1960, Fonseca se consolidou como uma observador da violência urbana e da miséria humana. Sua estreia, a coletânea de contos “Os prisioneiros” (1963), foi saudada como “revelação do ano” pelo “Jornal do Brasil”, inaugurando o que o crítico Alfredo Bosi chamaria de corrente “brutalista”. O autor reinventou a narrativa policial, colocando os efeitos das rápidas e brutais transformações das grandes metrópoles brasileiras no centro de seus livros.

Em 1975, lançou “Feliz ano novo”, um best-seller instantâneo que chegou a ser proibido pela ditadura militar. Reconhecido como um dos melhores contistas da história da literatura brasileira, Fonseca também deixou romances marcantes. O romance histórico “Agosto” (1990, que tem o suicídio de Getúlio Vargas como pano de fundo, e um dos seus maiores sucessos.

Para muitos, Rubem Fonseca foi o responsável por trazer uma mentalidade urbana para a literatura brasileira. Embora tenha iniciado sua carreira nos anos 1960, continuava sendo uma das maiores influências para autores contemporâneos. “É um escritor que, de certa maneira, organizou a literatura brasileira, sobretudo nos primeiros livros de contos. São obras-primas. Eu releio ‘A coleira do cão’ e falo ‘não é possível, ele escreveu e publicou isso em 62!’”, observou o escritor Marçal Aquino.

O autor não falava com jornalistas ha mais de 50 anos. Muito antes do isolamento social causado pelo surto do Covid-19, a reclusão de Fonseca se tornou folclórica na cena literária e também na cultura popular.

Nos últimos anos, Fonseca recusou convites para participar da Flip e da delegação de escritores brasileiros que aterrissou na Feira de Frankfurt de 2013. Segundo a sua filha, Bia Correa do Lago, a presença limitada na mídia lhe permitia circular mais à vontade pelas ruas do Leblon.

— Meu pai diz que a vantagem de não ser uma pessoa conhecida é poder olhar as coisas sem ser incomodado. Para ele, o escritor tem que observar, não ser observado — disse ela em uma entrevista de 2015, quando o pai completou 90 anos.