O presidente Jair Bolsonaro chamou de “idiota” uma jornalista em Feira de Santana. A repórter Driele Veiga, da TV Aratu, afiliada do SBT na Bahia, questionou Bolsonaro sobre uma foto que o mandatário tirou junto ao apresentador Sikêra Jr., na qual ambos seguram uma réplica aumentada de um CPF com uma tarja vermelha, na qual está escrito “cancelado”.

O trecho foi divulgado na página oficial da TV Aratu no Instagram e não apareceu no áudio enviado pela assessoria de imprensa do Palácio do Planalto a jornalistas que não participaram da entrevista.

A foto à qual a repórter se referiu foi feita na 6ª feira (23.abr), depois da participação do presidente no programa Alerta Especial, da TV A Crítica, de Manaus (AM). Ao longo da entrevista, o presidente fez  comentários considerados homofóbicos e xenofóbicos. “Esse queima ou não queima?”, disse o presidente sobre um assistente de produção do programa. A um homem com vestimenta japonesa, questionou: “Tá tudo pequenininho aí?”.

Ao centro, o presidente Jair Bolsonaro e o apresentador Sikêra Júnior seguram um CPF com uma faixa escrito “cancelado”.  

A expressão “CPF cancelado” é usada por policiais e grupos de extermínio em referência a alguém que foi assassinado, geralmente, por um grupo inimigo. Para os críticos, o presidente errou ao tirar a fotografia não só por seu cunho violento, mas no contexto da pandemia de covid-19. Até o  domingo (25.abr), o país tinha ao menos 390.797 mortes pela doença.

REPÓRTER RESPONDE

Driele Veiga respondeu ao presidente em sua página oficial do Instagram. “A autoridade representou no xingamento uma sociedade com uma estrutura ainda sexista e patriarcal em que homens acham que vão conseguir intimidar uma mulher com agressão verbal e/ou atitude desrespeitosa“, escreveu a jornalista.

Driele completou: “A mim o xingamento não ofendeu. Só mostrou que estava no caminho certo. Sou jornalista e estou aqui para perguntar, por mais que a indagação incomode“, completou.

O presidente do DEM e ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, defendeu a repórter na publicação. “Minha solidariedade, Driele. Sei da sua seriedade, competência e educação. É fundamental que, em uma democracia, o presidente da República compreenda e respeite o papel da imprensa“, escreveu.