A polícia da Nicarágua prendeu mais cinco opositores ao regime de Daniel Ortega no domingo (13), informaram as autoridades locais.

Com essas prisões, ao menos 10 políticos da oposição, entre eles pré-candidatos, já foram detidos a cinco meses das eleições presidenciais.

As ações aumentam a desconfiança sobre o governo de Ortega que vem recebendo críticas da comunidade internacional.

O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, disse em visita a Costa Rica, que faz fronteira com a Nicarágua, que Ortega precisa “jogar limpo” e liberar os opositores.

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price, disse no início de junho que “estão alarmados” e pediu que o país centro-americano realize eleições “livres e justas”.

Quem são os detidos?

No domingo, a polícia prendeu 5 dissidentes do movimento sandinista, que levou Ortega ao poder.

A polícia disse que os detidos “estão sendo investigados por praticar atos que atentam contra a independência, a soberania e a autodeterminação, incitar a ingerência estrangeira nos assuntos internos”, entre outros crimes, segundo nota da instituição.

Na véspera, a opositora Tamara Dávila, da Unidade Nacional Azul e Branca (UNAB), também foi detida em sua casa para ser investigada por “praticar atos que comprometem a independência, a soberania”.

Lei polêmica

Em dezembro do ano passado, a Nicarágua aprovou a polêmica “Lei de Defesa dos Direitos do Povo à Independência, Soberania e Autodeterminação para a Paz”, que pune com prisão aqueles que promovem a intervenção estrangeira.

A legislação serve de pretexto para barrar opositores, tornando ilegal o financiamento de ONGs e acusa, por exemplo, como lavagem de dinheiro, as doações da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid).

Prisão de pré-candidatos

A polícia nicaraguense prendeu na semana passada Juan Sebastián Chamorro García. Ele se tornou o quarto pré-candidato presidencial de oposição a ser preso neste mês de junho.

Juan Sebastián é sobrinho de Cristiana Chamorro, que também era candidata e foi detida em 2 de junho.

Manágua Felix Maradiaga, outro pré-candidato a presidente da Nicarágua, também foi preso no início do mês, sob a acusação de tramar contra a “independência, a soberania”.

O pré-candidato à presidência Arturo Cruz, foi detido no aeroporto ao retornar de uma viagem dos EUA.