O número de feminicídios quase dobrou nos primeiros três meses desse ano, comparando com o mesmo período do ano passado. Os dados estão no balanço divulgado pela Secretaria de Segurança Pública do Tocantins. A jovem Ana Paula, de 25 anos, foi uma das vítimas dessa violência.

“Ela era uma menina boa, trabalhadora, lutava pela vida. Aí vem um covarde desse e tira a vida da pessoa”, lamentou Silvana Azevedo, tia da Ana Paula.

Segundo os dados, nove mulheres foram assassinadas no âmbito familiar, se enquadrando como feminicídio, nos três primeiros meses de 2021. No mesmo período do ano passado tinham sido cinco vítimas.

Para a doutora em direito penal Patrícia Vanzolini, a partir desses dados é possível fazer uma leitura sobre a violência contra a mulher tocantinense.

“Nós podemos associar esse aumento na ocorrência do feminicídio com a situação de crise gerada pela pandemia. Essa situação tem vários reflexos, tanto no aumento dos fatores de risco, como o isolamento mesmo das mulheres, que ficam sem suas redes de proteção, o aumento no consumo de álcool, o aumento no estresse, o desemprego, a preocupação com o dinheiro”, analisou a doutora em direito penal, Patrícia Vanzolini.

O balanço divulgado pelas forças de segurança também possui números positivos. De modo geral os crimes contra a vida registraram queda.

Os homicídios caíram 27%, de 122 para 89. Nos latrocínios, roubos seguidos de morte, a redução foi pela metade, de quatro para dois casos. O registro de lesões corporais seguidas de morte caiu 60%, de cinco para dois.

Levando em consideração os crimes contra o patrimônio, houve redução de 25,1% nos roubos e 31,2% em furtos. “O que a gente percebe é que há um esforço grande das polícias em todo estado para tentar mapear a ocorrência dos crimes e agir na sua prevenção e responsabilização”, comentou o secretário Cristino Barbosa.

Sobre a alta na quantidade de feminicídios, a Secretaria de Segurança Pública está investindo em ações preventivas. “O feminicídio é realmente um crime difícil de combater porque normalmente acontece dentro das paredes de casa. Nossos esforços tem sido preventivos no sentido de promover uma cultura de não violência, no sentido da gente levar a educação para as crianças crescerem com esses valores”, afirmou.

Para as famílias das vítimas resta a dor da perda e a busca por justiça. “Eu venho pedir justiça para que não venha acontecer com nenhuma jovem o que aconteceu com a minha sobrinha, que foi uma morte muito cruel que ser humano nenhum merece uma morte como foi a de Ana Paula”, lamentou a tia da Ana Paula.

Por G1 Tocantins.