O Brasil foi selecionado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para o desenvolvimento e produção de vacinas com tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) na América Latina. O centro escolhido pela entidade foi o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, atual produtor da vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca no Brasil.

Segundo a Fiocruz, a escolha da unidade tem como razão os promissores avanços no desenvolvimento tecnológico de uma vacina de mRNA contra a Covid-19, mesma tecnologia da Pfizer, atualmente em estágio pré-clínico. A seleção foi realizada a partir de uma chamada global lançada em abril com o objetivo de aumentar a capacidade de produção e ampliar o acesso às vacinas contra a Covid-19 nas Américas.

“O Brasil compartilha o entendimento da OMS e da OPAS sobre a necessidade urgente de se ampliar o acesso a novas tecnologias, bem como expandir as capacidades de produção de medicamentos e demais produtos de saúde globalmente”, afirmou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em discurso no 59º Conselho Diretor da 73ª Sessão do Comitê Regional da OMS para as Américas, realizado em Nova York.

O processo de escolha foi realizado por comitê de especialistas independentes (PDVAC). Além da Fiocruz, outra proposta, localizada na Argentina, também foi selecionada.

“Com a seleção do Brasil como ‘hub’ regional na produção vacinas para a América Latina e Caribe, iremos nos valer da ampla capacidade produtiva de nosso complexo econômico-industrial, nossa competência técnica, e ambiente regulatório seguro para garantir o acesso a imunizantes aos Brasil e demais parceiros da região”, completou Queiroga.

De acordo com a OMS, a Fiocruz foi escolhida por sua longa tradição na produção de vacinas e pelos avanços apresentados para o desenvolvimento da candidata a vacina. O potencial imunizante utiliza a tecnologia de RNA auto-replicativo, e expressa duas proteínas importantes do novo coronavírus para estimular a resposta imunológica, a proteína Spike e a proteína N.

Segundo a Fiocruz, a tecnologia demanda menos necessidades produtivas, atingindo uma escala em termos de doses superior à de outras vacinas de mRNA. “Isto permite que o seu custo seja inferior ao de outras vacinas semelhantes, possibilitando a ampliação ao seu acesso. A vacina está, atualmente, em fase de estudo pré-clínico”, afirmou a Fiocruz em um comunicado.

A partir da seleção, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) disponibilizará uma equipe de especialistas internacionais com experiência nos diferentes aspectos de desenvolvimento e produção de vacinas para contribuir com a Fiocruz.

O processo de desenvolvimento inclui as etapas futuras de pré-qualificação da OMS, que garante o cumprimento de elevados padrões internacionais de qualidade, segurança e eficácia.

Segundo a Fiocruz, a vacina desenvolvida será oferecida aos estados-membros e territórios da Opas por meio de seu Fundo Rotatório, que fornece vacinas acessíveis há mais de 40 anos na região. Todos os processos serão conduzidos na atual planta de Bio-Manguinhos.