Tontura, mal-estar, desmaio, palpitações e até parada cardíaca. Esses são alguns dos sinais de que o ritmo do coração pode não estar indo bem. Segundo a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas, o descompasso pode acometer uma em cada quatro pessoas ao longo da vida e provocar a morte súbita de mais de 300 mil pessoas no Brasil a cada ano.

“Existem situações em que o coração bate muito devagar, chamadas de bradicardias. Em outras, acelera muito, são as taquicardias. Em outras, ele simplesmente bate de forma desorganizada. Todas essas anormalidades são chamadas de arritmias e precisam ser tratadas”, destaca o presidente da sociedade, Ricardo Alkmim Teixeira.

Além dos implantes de marca-passo e desfibriladores, um dos procedimentos para o tratamento das arritmias que evoluiu nos últimos anos foi a ablação por radiofrequência. Trata-se de uma técnica de cauterização do curto-circuito da arritmia, que ajuda a eliminar os focos da desorganização dos batimentos cardíacos.

“Esse tipo de tratamento é indicado principalmente para casos de fibrilação atrial, uma arritmia que acontece mais em idosos. A partir da faixa dos 40 anos, talvez de 1 a 2% da população tenha esse tipo de arritmia. Isso aumenta para 10% entre 70 e 80 anos”, explica o diretor da Unidade de Clínica de Arritmias do Instituto do Coração (Incor), Mauricio Scanavacca.

Em entrevista exclusiva ao programa, o músico Toquinho conta a experiência pessoal com a arritmia e a técnica que utilizou para lidar com o problema. Entre um dedilhar e outro no violão, Toquinho revela que “o coração começou com uma batida que parecia uma bateria de escola de samba desarrumada”.

“Deu um mal-estar como se a vida tivesse um pouco ido embora, uma sensação de vazio. Aí eu fui para o hospital de madrugada e você vai normal. Era só um descompasso, não era taquicardia. O coração estava descompassado”, conta.

A história de outro músico: Beethoven. Um estudo publicado em 2014 na revista científica da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, identificou, a partir da música do compositor alemão, que ele também sofria de arritmia.

“As obras dele tinham algumas peculiaridades que a gente não via em outros grandes compositores. Segundo os pesquisadores, parecia que ele estava lendo os batimentos do seu próprio coração, o que é possível já que ele ficou surdo”, comenta o cardiologista Sergio Timerman.

No Theatro Municipal de São Paulo, Roberto Kalil conversa com o maestro Roberto Minczuk sobre o tema. “É possível a gente notar na obra do Beethoven uma inconstância rítmica, o que o torna ainda mais genial e pode ter relação com o que mostra esse estudo”, destaca Minczuk.