Mais do que apenas um espaço para comercialização de produtos, as feiras livres resistem ao tempo e a cada ano se renovam sem perder a tradição vinda de outras épocas, reafirmando-se também como um ponto turístico. Na sexta-feira, dia 25 de agosto, é comemorado em todo o Brasil o Dia do Feirante, sendo uma forma de homenagear esse trabalhador tão importante para e economia das cidades.

 

Figura certa aos domingos na Feira da Arno 33, a técnica em Enfermagem Josélia Alves, acorda cedo para garantir queijo fresco de qualidade. Fiel ao fornecedor, ela garante que já deixou de comprar o produto quando a “mulher do queijo” não compareceu ao ponto de venda. “Gosto do fresco e da variedade dos produtos oferecidos nas feiras”, ressalta ao destacar que prefere comprar peixe em feiras, pelo fato do produto ser fresco e com preço mais em conta que em supermercados. “Também compro uma quantidade que garanta o consumo em pelo menos dois dias na semana e assim todos os domingos renovo meu estoque na geladeira”, explica.

 

Vinda de uma tradicional família do interior do Maranhão, a técnica em Enfermagem é apegada a culinária nordestina, bem como dos frutos típicos. “Recentemente consegui comprar a famosa bacaba, frutinho bem parecido com o açaí e só encontrado mesmo em feiras. Minha expectativa agora é pela comercialização da macaúba”, celebra.

 

É comum ver pessoas de todas as idades frequentando as feiras, não só em busca de produtos para levar para casa, mas para consumir os quitutes preparados nos locais, como os famosos pasteis que garantem o sustento de famílias inteiras. “Me considero uma das primeiras pasteleiras da Capital. Já são 20 anos de muito trabalho nas feiras da cidade sempre vendendo esse produto que é democrático e aceito por todos os paladares”, exalta Marly Moreira, que desenvolve a atividade na Feira da 304 Sul, Espaço Popular Mário Bezerra Cavalcante, localizada na ACSV-SE 31.

 

A artesã Augusta dos Santos guarda na memória suas primeiras experiências em feiras livres. Quando ainda criança, na pequena cidade de Muribeca, interior de Sergipe, acompanhava sua mãe aos domingos. “Cidade do interior a atração era a feira e aquilo para mim era motivo de festa. E isso carreguei por toda minha vida e hoje compartilho esse prazer e satisfação com minhas filhas”, relata.

 

Além da tradição, outro fato que motiva a artesã a frequentar as feiras á a venda de produtos frescos. “Gosto de comprar ovos, queijo, legumes e verduras. A qualidade nem se compara ao vendido em supermercados, além da troca de experiências com os feirantes. A conversa cara a cara aproxima e estreita as relações”, explicou.

 

E quem chega para comprar condimentos e especiarias da barraca da produtora e também feirante Luzimar Ribeiro, 48 anos, recebe atendimento de primeira feito com muita alegria e competência. Pedagoga por formação, ela explica que tem prazer em trabalhar no campo e de lá tirar o seu sustento. “Não tem coisa melhor do que ser dona do meu próprio nariz e tirar da terra a minha subsistência. Gosto da dinâmica das feiras e o contato com os clientes. É uma novidade a cada dia”, celebra.

 

Abastecimento garantido

Palmas possui atualmente sete feiras livres, com a administração feita pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (Seder) por meio da Superintendência de Comercialização e Abastecimento de Feiras Livres.  Esses espaços têm papel de destaque no escoamento da produção advinda da agricultura familiar, que tem grande representatividade no Produto Interno Bruto (PIB) no município.

 

São 1.075 feirantes cadastrados e habilitados para atuarem na Capital garantindo toda semana a chegada de frutas, verduras, legumes e carnes frescas na mesa do palmense. E na feira encontra-se de tudo, melancia, abacaxi, couve, alface, tomate, pastel, paçoca, chambari, bofe, peixe, produtos naturais, ovos, galinha, queijo, artesanato, plantas medicinais e uma infinidade de itens produzidos, em sua maioria por agricultores da região. Conforme dados da Seder, o abastecimento das feiras é garantido com a participação de 326 produtores rurais, sendo 210 de Palmas e 116 de cidades vizinhas.

 

Além da liberação dos espaços aos feirantes, feito pela Prefeitura de Palmas por meio de um cadastramento dessas pessoas, o Município também auxilia na comercialização e assistência técnica a essas famílias.

 

Incentivo financeiro

Além de toda a assistência técnica fornecida pela prefeitura, os feirantes também têm acesso à linha de crédito disponibilizada por meio do Banco do Povo. São empréstimos de até R$ 5 mil para pessoas físicas e de até R$ 10 mil para pessoas jurídicas. O pagamento deve ser feito no prazo de 24 meses as pessoas jurídicas e em 18 parcelas para pessoas físicas. Os juros são de 1% ao mês, com abatimento de 0,2% para pagamento em dia.

 

Esse incentivo financeiro ajuda a incrementar e modernizar os pequenos negócios, possibilitando inclusive que essas pessoas tenham um capital de giro que garanta a barganha de descontos com outros fornecedores, que refletirá no preço final pago pela dona de casa.

 

Confira as feiras livres e dias de funcionamento:

 

Feira da 304 Sul – Espaço Popular Mário Bezerra Cavalcante (ACSV-SE 31): terças-feiras e sextas-feiras, das 8 às 22 horas

 

Feira da Arno 61: quartas-feiras, das 13 às 21 horas

 

Feira da Arse 112: quintas-feiras, das 8 às 22 horas

 

Feira da Arno 33: sábados das 7 às 22 horas e aos domingos das 8 às 12 horas

 

Aureny I: sábados das 8 às 22 horas e aos domingos das 8 às 12 horas

 

Aureny III: sábados das 6 às 12 horas

 

Feira de Taquaruçu Grande: domingos da 6 às 12 horas