Fontes próximas ao papa emérito Bento XVI negaram que ele seja coautor do livro “Do fundo de nossos corações”, juntamente com o cardeal conservador Robert Sarah, que defende a manutenção do celibato no clero da Igreja Católica.

Segundo o jornal italiano “Corriere Della Sera” e o jornal argentino “La Nacion”, pessoas próximas a Joseph Ratzinger, que renunciou ao papado há quase sete anos, disseram que ele não escreveu parte do livro, como indica a publicação.

Segundo as fontes ouvidas pelos jornais, é “evidente que existe uma operação editorial e midiática”, da qual o papa emérito se distancia e está totalmente alheio. Ele não teria visto e nem aprovado o livro ou sua capa e nem assinado a obra.

O que teria acontecido, relatam, é que Bento XVI escreveu, há alguns meses, algumas anotações sobre celibato e, ao saber disso, o cardeal Sarah pediu para ler. “O papa emérito colocou o texto à sua disposição, sabendo que ele estava escrevendo um livro sobre o sacerdócio”, afirmaram aos jornais.

Padres casados na Amazônia

Em outubro, o documento final de uma assembleia de bispos católicos, ou sínodo, sobre a Amazônia propôs que homens casados da região remota possam ser ordenados como padres, o que provocaria uma mudança histórica na disciplina de celibato vigente há séculos na Igreja.

A proposta sugere que homens casados mais velhos que já são diáconos da Igreja, têm um relacionamento familiar estável e são líderes comprovados de suas comunidades sejam ordenados depois de uma formação adequada.

O Papa Francisco a cogitará, assim como muitas outras propostas sobre questões que emergiram durante o sínodo, incluindo o meio ambiente e o papel das mulheres, em um documento de sua autoria, conhecido como Exortação Apostólica, que deve ser publicado em poucos meses.

Em 2013, quando se tornou o primeiro papa a renunciar em 700 anos, Bento XVI, que mora no Vaticano e está com 92 anos e saúde frágil, prometeu se manter “escondido do mundo”.

Mas ele deu entrevistas, escreveu artigos e contribuiu com livros, na prática rompendo a promessa e animando os conservadores — alguns dos quais não reconhecem a legitimidade de Francisco.