O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello disse à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado  que o governo federal se reuniu para deliberar sobre uma possível intervenção na saúde do Amazonas durante o pico da pandemia no Estado.

O senador amazonense Eduardo Brada (MDB-AM) perguntou ao ex-ministro por que seu pleito de intervenção não foi atendido: “Fiz carta ao presidente da República pedindo a intervenção para salvar vidas, senador Omar, diante do que nós estamos ouvindo aqui por parte do Ministro da Saúde, da falta de compromisso, da falta de competência, da falta de responsabilidade. Deixou faltar oxigênio. Fecharam o hospital de campanha! E, lamentavelmente, não fui atendido.”

Pazuello disse que não era sua decisão de intervir ou não, mas que o tema foi debatido em uma reunião de ministros com a presença de Jair Bolsonaro e do governador do Estado, Wilson Lima. Nesse encontro, entretanto, decidiram não intervir no Amazonas.

“Essa decisão não era minha…Foi levado à reunião de ministros com o presidente. E o governador, presente, se explicou, apresentou suas observações. E foi decidido pela não intervenção. Foi dessa forma que aconteceu.”

Braga declarou que a resposta mostra como os representantes do Estado identificaram os problemas da gestão local, pediram intervenção, e o governo não o fez. O senador também perguntou se o ex-ministro mandou fechar os hospitais de campanha do Amazonas, Pazuello disse que não.

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TRATECOV E MANAUS

Em 15 de janeiro, o Ministério da Saúde tirou do ar o aplicativo “TrateCov“, que recomendava o “tratamento precoce” para pacientes que apresentavam sintomas da covid-19.

Perguntado na CPI, Pazuello disse que a ideia da ferramenta veio de Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério Saúde.

“No dia 6 de janeiro, a secretária Mayra, quando voltou de Manaus, trouxe a sugestão de nós fazermos uma plataforma, uma calculadora que facilitasse o diagnóstico.”

O presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), criticou o uso do aplicativo no Estado nortista porque categorizou que a população de Manaus foi feita de cobaia.

“Tudo aquilo que poderiam ter feito com o povo do Amazonas e de Manaus para testar, para usar de cobaia, para ter experiência foi feito lá, senador Eduardo, inclusive um suposto programa para supostamente identificar se você estava com o Covid ou não”, declarou.

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) saiu em defesa do ex-ministro dizendo que não se poderia usar o termo “cobaia”. “Presidente, o senhor me desculpe, mas não é cobaia. É uma tentativa”, disse.