Apesar da repercussão negativa entre militares, o Ministério da Defesa e o Exército ainda não se posicionaram oficialmente sobre a participação do ex-ministro da Saúde, general da ativa Eduardo Pazuello, na manifestação em favor do presidente Jair Bolsonaro no último domingo, no Rio. O caso gerou a abertura de um procedimento administrativo contra Pazuello, que já foi notificado pela Força a justificar sua participação, sem máscara, no ato que também gerou aglomeração.

Fontes militares e interlocutores do ex-ministro afirmam que o general recebeu ainda na segunda-feira o Formulário de Apuração de Transgressão Disciplinar (FATD), onde deverá, por escrito, apresentar sua defesa. O prazo, segundo o Regulamento Disciplinar do Exército, é de três dias a contar da data da notificação, mas a data limite pode ser estendida a pedido do general.

Inicialmente, o Exército cogitou a divulgar uma nota sobre a abertura do procedimento contra Pazuello, mas desistiu sem maiores explicações. Na manhã de segunda-feira, o comandante do Exército, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, se reuniu com o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, para discutir o caso. Uma semana antes, Braga Netto também foi criticado por discursar em um palanque em ao lado de Bolsonaro em Brasília.

Após Pazuello apresentar sua justificativa, caberá ao comandante da Força decidir se o general receberá uma sanção ou não pelo seu comportamento. O Estatuto dos Militares diz que são “proibidas quaisquer manifestações coletivas, tanto sobre atos de superiores quanto as de caráter reivindicatório ou político”.

Se comprovada a transgressão disciplinar, Pazuello poderá ser punido com advertência (a forma mais branda da punição), repreensão (mais enérgico, feita por escrito e publicado em boletim interno), detenção ou prisão disciplinar. De acordo com fontes militares, o general deverá receber uma sanção mais leve para evitar um tensionamento no Planalto.

Mesmo diante do mal estar na Força, o general, segundo interlocutores, não tem a intenção de passar à reserva e conta com o apoio do presidente. A pressão para que o general pedisse aposentadoria já era presente entre o comando do Exército quando ele estava no cargo de ministro, mas agora se intensificou com a participação cada vez mais frequente de Pazuello em atos políticos ao lado de Bolsonaro, que tem levado o general a viagens pelo Brasil. Não existe, porém, a possibilidade de Pazuello ser transferido para a reserva compulsoriamente. Este é um ato que ocorre a pedido do militar.

Auxiliares do Planalto dizem que “há exagero” no caso e reforçam que o ex-ministro está em alta com Bolsonaro. O desempenho do militar na CPI da Covid-19 foi comemorado no Planalto por ter blindado o presidente. Nesta quarta-feira, o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), disse que Pazuello será convocado novamente, assim como o ministro Queiroga.